23/10/2026

Professora da Uespi denuncia ameaças de morte em Parnaíba após manifestações políticas

Foto: Reprodução

A Polícia Civil do Piauí investiga uma série de ameaças de morte contra a professora Samara Oliveira, coordenadora do curso de Pedagogia da Universidade Estadual do Piauí (Uespi), no campus de Parnaíba, no litoral do estado. Segundo a docente, algumas das ameaças foram feitas por meio de bilhetes deixados na porta do laboratório do curso.

Os bilhetes foram encontrados no dia 15 de outubro, data em que se comemora o Dia do Professor. O episódio ocorreu dias depois de Samara participar de manifestações políticas.

Entre as mensagens encontradas estavam frases como “Samara aqui jaz” e “Vai para o saco preto”, conforme relatado pela professora.

A reportagem procurou a reitoria da Universidade Estadual do Piauí para obter um posicionamento sobre o assunto, mas não recebeu resposta até a publicação deste texto. O espaço permanece aberto para esclarecimentos.

Após as ameaças, Samara registrou um boletim de ocorrência e formalizou uma denúncia na própria universidade. Ela também comunicou o caso à Secretaria de Segurança Pública do Piauí (SSP-PI) e ao Ministério Público do Estado.

A professora afirmou que não pretende se intimidar e que continuará exercendo suas atividades normalmente. Ela também ressaltou acreditar na força da democracia.
Associação de docentes cobra investigação

A Associação dos Docentes da Universidade Estadual do Piauí (ADCESP), seção sindical do ANDES-SN, divulgou uma nota de solidariedade à professora e repudiou as ameaças. A entidade informou que encaminhou um ofício à reitoria da Uespi solicitando providências.

Confira a nota da ADCESP na íntegra:

A Associação dos Docentes da Universidade Estadual do Piauí (ADCESP), Seção Sindical do ANDES-SN, manifesta sua irrestrita solidariedade à professora Samara de Oliveira Silva, integrante da direção da ADCESP na Coordenação Regional de Parnaíba, diante da grave denúncia de ameaça de morte sofrida pela docente. Há suspeitas de que a ameaça tenha origem em setores do bolsonarismo de Parnaíba, o que precisa ser rigorosamente investigado.

Samara é professora do curso de Pedagogia da Uespi, respeitada pesquisadora sobre Educação, e uma liderança sindical que atua em consonância com as resoluções do 69º CONAD do ANDES-SN. Dentre as decisões do evento, está o enfrentamento à extrema direita, cujas políticas e ações representam ameaças aos serviços públicos, às universidades e aos direitos da classe trabalhadora.

Neste segundo turno das eleições presidenciais, esse posicionamento se expressa na defesa do voto no 13, de Lula, pelo ANDES-SN e suas seções sindicais. Em Assembleia Geral realizada no dia 7 de outubro, os(as) filiados(as) da ADCESP decidiram democraticamente ratificar essa orientação, reafirmando que o voto no 13 não representa um cheque em branco, tampouco a renúncia à autonomia e à independência sindical diante de qualquer governo.

Repudiamos veementemente essa tentativa de intimidação, praticada por quem se acovarda no anonimato para ameaçar a vida de uma professora e dirigente sindical. Ameaças dessa natureza são inadmissíveis e constituem uma afronta à liberdade de expressão, à organização sindical e aos princípios democráticos.

Exigimos da Secretaria de Segurança Pública do Estado do Piauí uma investigação célere, rigorosa e transparente, capaz de identificar e responsabilizar o autor ou os autores da ameaça, bem como a adoção imediata das medidas necessárias para garantir a segurança e a integridade física da professora Samara. Além disso, o sindicato também encaminhou ofício para a reitoria da UESPI pedindo que a universidade tome as medidas cabíveis e necessárias nesse momento.

Não aceitaremos que ameaças, intimidações ou qualquer forma de violência sejam utilizadas para tentar silenciar docentes, dirigentes sindicais ou qualquer pessoa que exerça legitimamente seus direitos políticos e democráticos.

A ADCESP seguirá firme na luta em defesa da universidade pública, gratuita, democrática e socialmente referenciada, da liberdade de expressão, do direito à organização sindical e do respeito às diferenças. Não abriremos mão do enfrentamento à extrema direita nem da defesa intransigente dos direitos da classe trabalhadora.

Toda solidariedade à professora Samara!

Ameaças não nos calarão!

Fonte: Cidadeverde.com

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