Foto: Renato Andrade/Cidadeverde.com
Um adolescente de 17 anos morreu nesta sexta-feira (17) no Instituto de Doenças Tropicais Natan Portella com suspeita de raiva humana. Ele morava em Oeiras, a 260 km de Teresina, e foi transferido para capital há seis dias, depois de dar entrada na UPA da cidade com quadro grave.
De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde do Piauí (Sesapi), o jovem foi mordido por um sagui (soin) 40 dias antes de apresentar os sintomas de vômito em jato, febre persistente e sinais de desorientação que evoluiu para rebaixamento do nível de consciência. Pela gravidade, ele foi transferido no mesmo dia para Teresina.
A investigação do quadro de raiva ainda está sendo realizada, com novas amostras sendo coletadas para serem encaminhadas ao Instituto Pasteur, no Rio de Janeiro para análise. Exames preliminares já foram realizados.
“A Sesapi destaca que seguirá acompanhando o caso e adotando todas as medidas necessárias no âmbito da investigação epidemiológica”, informou a secretaria em nota.
Raiva Humana - quase 100% fatal
De acordo com o Ministério da Saúde, a raiva é uma doença grave causada pelo vírus do gênero Lyssavirus, da família Rhabdoviridae, que afeta mamíferos, incluindo pessoas. Ela provoca inflamação no cérebro e, se não for tratada a tempo, quase sempre leva à morte.
Importante: A raiva é de extrema importância para saúde pública, devido a sua letalidade de aproximadamente 100%, por ser uma doença passível de eliminação no seu ciclo urbano (transmitido por cão e gato) e pela existência de medidas eficientes de prevenção, como a vacinação humana e animal, a disponibilização de soro antirrábico humano, a realização de bloqueios de foco, entre outras.
Transmissão
A raiva é transmitida ao homem pela saliva de animais infectados, principalmente por meio da mordedura, podendo ser transmitida também pela arranhadura e/ou lambedura desses animais. O período de incubação é variável entre as espécies, desde dias até anos, com uma média de 45 dias no ser humano, podendo ser mais curto em crianças. O período de incubação está relacionado à localização, extensão e profundidade da mordedura, arranhadura, lambedura ou tipo de contato com a saliva do animal infectado; da proximidade da porta de entrada com o cérebro e troncos nervosos; concentração de partículas virais inoculadas e cepa viral.
Nos cães e gatos, a eliminação de vírus pela saliva ocorre de 2 a 5 dias antes do aparecimento dos sinais clínicos e persiste durante toda a evolução da doença (período de transmissibilidade). A morte do animal acontece, em média, entre 5 e 7 dias após a apresentação dos sintomas.
Não se sabe ao certo qual o período de transmissibilidade do vírus em animais silvestres. Entretanto, sabe-se que os quirópteros (morcegos) podem albergar o vírus por longo período, sem sintomatologia aparente.
Sintomas
Após o período de incubação, surgem os sinais e sintomas clínicos inespecíficos (pródromos) da raiva, que duram em média de 2 a 10 dias. Nesse período, o paciente apresenta:
- Mal-estar geral
- Anorexia
- Náuseas
- Entorpecimento
- Inquietude
- Pequeno aumento de temperatura
- Dor de cabeça
- Dor de garganta
- Irritabilidade
- Sensação de angústia
- A pessoa pode apresentar inchaço nos gânglios (caroços no pescoço, axila ou virilha), sensibilidade ou dormência ao longo dos nervos perto da mordida, além de mudanças no comportamento.
Complicações
A infecção da raiva progride, surgindo manifestações mais graves e complicadas, como:
- Febre
- Delírios
- Convulsões
- Espasmos musculares involuntários, generalizados
A raiva é uma doença quase sempre fatal, para a qual a melhor medida de prevenção é a vacinação pré ou pós exposição. Quando a profilaxia antirrábica não ocorre em tempo oportuno e a doença se instala, pode-se utilizar o Protocolo de Tratamento da Raiva Humana, baseado na indução de coma profundo, uso de antivirais e outros medicamentos específicos. Entretanto, é importante salientar que, diante de uma doença em que letalidade é de quase 100%, os pacientes, mesmo submetidos ao protocolo, raramente sobrevivem, ressaltando a importância da prevenção.
Via Cidadeverde.com
Fonte: Ministério da Saúde