26/08/2018

MPPI e CRM fazem vistoria no hospital de Campo Maior e encontram irregularidades

Secretaria de Estado da Saúde (Sesapi) informou que designou técnicos para assegurar melhorias para a unidade. CRM disse que hospital será notificado para apresentar soluções após relatório com lista de problemas.

Promotor de Justiça constatou falta de medicamentos. (Foto: Divulgação/CRM-PI)

Uma fiscalização do Conselho Regional de Medicina do Piauí com o Ministério Público Estadual constatou irregularidades no Hospital Regional de Campo Maior, que teve sua situação denunciada pela própria diretoria da unidade. Além de falta de medicamentos, problemas estruturais e falta de ambulância adequada, o CRM disse que há profissionais sem contrato atuando no hospital e a folha de pagamento está deixando o hospital sem verba para atender às necessidades.


Segundo o CRM, a direção financeira do hospital afirmou que os recursos não estão sendo suficientes para cobrir as despesas necessárias com insumos e medicamentos. Também falta uma série de medicamentos e a escala médica encontra-se reduzida, principalmente para algumas cirurgias.

A fiscalização contou com a presença da presidente do CRM-PI, Drª Mírian Palha Dias Parente, do vice-presidente, Dr. Dagoberto Barros da Silveira, além do promotor de Justiça da Comarca de Campo Maior, Dr. Maurício Gomes de Sousa, e corpo técnico do CRM-PI.

CRM e MPPI constatou irregularidades no hospital. (Foto: Divulgação/CRM-PI)

Segundo o CRM, o diretor financeiro do hospital, Robert Sousa Alves, informou que mensalmente os fornecedores estão sendo pagos apenas com parte da dívida, pois o montante do recurso que chega não é suficiente para cobrir as despesas com insumos e medicamentos.

O Conselho informou que em agosto, o recurso que entrou na conta do hospital foi de R$ 402 mil (referente a julho), aproximadamente R$ 239 mil são para pagar a folha de pagamento, além de outras despesas e somente sobram R$ 70 mil para pagar fornecedores, recurso nem de longe suficiente para tal. Segundo o CRM, a direção do hospital disse que são necessários mensalmente um montante de R$ 120 mil somente para a compra de medicamentos e material hospitalar. Também foi informado que a dívida com fornecedores de janeiro a agosto desse ano já passa de R$ 400 mil.

Além disso, o hospital que possui 110 leitos, contaria com 140 profissionais, grande parte sem nenhum vínculo e nem contrato trabalhista, mas que recebem salários, entre eles médicos, enfermeiros, técnicos e pessoal de serviços gerais.

Recentemente, o CRM disse que um dos fornecedores de material descartável para a distribuição de quentinhas da cantina do hospital deixou de fornecer por falta de pagamento. A fiscalização não registrou falta de alimentos para manter o hospital, no entanto, a farmácia conta com uma lista com vários medicamentos que estavam em falta no momento da fiscalização.

Outro problema observado foi que não foi renovado o contrato com a empresa responsável pelos dosímetros de radiação, utilizados pelos técnicos em radiologia por falta de verba, comprometendo a proteção contra danos à saúde daqueles profissionais.

Ambulância não possui suporte avançado, segundo o CRM. (Foto: Divulgação/CRM-PI)

O CRM informou que o hospital não conta com nenhuma ambulância de suporte avançado, apenas duas ambulâncias básicas; no momento da fiscalização, somente uma ambulância se encontrava presente e estaria em péssimas condições de uso.

As cirurgias de algumas especialidades médicas, como ortopedia não são realizadas diariamente, o que preocupou o CRM porque a unidade de saúde atende Campo Maior e mais 15 municípios circunvizinhos. Quando não é possível realizar alguns tipos de cirurgias, os pacientes passam por regulação e são transferidos para Teresina.

Hospital está com condicionadores de ar quebrados e pacientes sofrem com o calor. (Foto: Divulgação/CRM-PI)

O hospital também enfrenta vários problemas estruturais, como infiltrações, paredes e tetos deteriorados e as enfermarias possuem ar condicionados quebrados e os pacientes enfrentam o calor usando ventiladores.

O CRM irá produzir um relatório e, dentro de uma semana, repassar as informações ao hospital e ao governo do estado, que será notificado para tomar as providências. O prazo deve ser de 30 dias para que as soluções sejam apresentadas. Caso isso não aconteça, um pedido de interdição pode acontecer.

A Sesapi informou em nota que possui verba suficiente para o hospital e que utlizará o relatório do CRM para garantir as melhorias ao local.

Leia a íntegra da nota:

A Secretaria de Estado da Saúde reafirma que o Hospital Regional de Campo Maior apresenta disponibilidade financeira em conta superior ao limite da dívida informada, além de créditos de produção a receber e que, como sempre faz, também vai proceder os repasses financeiros visando apoiar, complementarmente, qualquer necessidade adicional do hospital.

Para isso, já designou técnicos para avaliação das necessidades da unidade, considerando tanto o financeiro, como administrativo, garantindo assim a oferta de serviços à população.

Importante ressaltar que a unidade vem recebendo investimentos contínuos, como novos equipamentos que proporcionaram melhoria no atendimento e sucesso na realização de mutirões de cirurgias, aperfeiçoando os serviços de saúde.

Quanto à vistoria do CRM, a Secretaria sempre primou em trabalhar em sintonia com os órgãos de regulamentação e fiscalização. Portanto, com a notificação, o relatório apresentado servirá também de referência para a melhoria contínua no atendimento à população.

Fonte: G1 PI

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