Adolescente de 17 anos ganhou festa de boas vindas dos colegas de turma. Outra sobrevivente não retornará aos estudos este ano devido ao tratamento.
Vítima de estupro coletivo retornou às aulas no colégio em Castelo do Piauí (Foto: Catarina Costa / G1)
Uma das três sobreviventes do estupro coletivo em Castelo do Piauí retornou às aulas esta semana na Unidade Estadual Francisco Sales Martins. Após o crime, a menina passou dois meses sem frequantar a escola e foi recebida com flores e festa. De acordo com a direção da escola, a garota irá prestar o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em outubro.
Lucineide Silva, diretora da escola, falou que as outras vítimas permanecem em Teresina, sendo que uma delas pediu transferência e vai estudar na capital. Uma das meninas, que sofreu traumatismo craniano, não retornará aos estudos este ano porque continua em tratamento médico.
Danielly Rodrigues, de 17 anos, morreu no dia 7 de junho. Ela teve esmagamento da face, lesões pelo pescoço e tórax e chegou a passar 10 dias internada, mas não resistiu.
As quatro amigas estudavam juntas e foram vítimas de um crime bárbaro na tarde do dia 27 de maio. Elas saíram para tirar fotos e fazer um trabalho da escola no Morro do Garrote, ponto de onde se tem uma visão panorâmica da cidade. De lá, elas foram estupradas, agredidas e jogadas do alto do penhasco com cerca de 10 metros de altura.
No retorno da adolescente de 17 anos a escola, os estudantes das duas turmas do terceiro ano do ensino médio realizaram uma festa surpresa e compraram flores para ela. A diretora Lucineide Silva contou que o momento foi de alegria entre os alunos e adolescente reagiu bem a homenagem.
Antes do seu retorno, as psicólogas conversaram com os estudantes para recebê-la e orientaram a eles não perguntar sobre o crime.
Uma das meninas ainda continua em tratamento e não vai estudar esse ano (Foto: Reprodução/TV Clube)
"A reação dela foi boa e ela parece tão bem. Os colegas estão dando apoio e tivemos que mudar a rotina da escola depois desta barbárie. Contamos agora com quatro psicólogos para atender a adolescente, os demais alunos, professores e os pais. Agora é voltar aos poucos à vida normal", declarou.
Ainda de acordo com Lucineide, a estudante se inscreveu no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e neste segundo semestre iniciará uma preparação para as provas com os demais alunos.
Atendimento especial
A secretária de Assistência Social de Castelo do Piauí, Ceres Vidal, relatou que todos do colégio ficaram bastante abalados com o crime e por este motivo solicitam a presença de profissionais para ajudar no acompanhamento dos alunos.
"A escola nunca havia se deparado com algo de alta complexidade como esse crime. Foram enviadas equipes de psicólogos que atenderam casos como de Realengo e da Boate Kiss. Estes especialistas realizaram trabalho por dois dias com os professores, zeladores e vigiais do colégio, dando orientações de de como poderíamos voltar à nossa rotina", contou a secretária.
As famílias das vítimas também vêm recebendo apoio psicológico e o acompanhamento deve seguir de acordo com a evolução das adolescentes. "O desenvolvimento das meninas está bem e ficamos muito aliviados com isso. O interessante é que elas não têm revolta e estão nos ensinando como superarr esse caso", revelou Ceres Vidal.
As famílias das adolescentes forma procuradas, mas ninguém quis comentar sobre o caso.
Cinco pessoas são suspeitas da série de atrocidades cometidas contra as meninas, que têm entre 15 e 17 anos. Um traficante de 40 anos, que estava foragido da Justiça, foi preso sob suspeita de ser o mentor da barbárie. Entre os investigados, estão quatro adolescentes, também entre 15 e 17 anos, que foram apreendidos horas após o crime.
Delegada Anamelka (Foto: Reprodução/TV Clube)
Participação dos menores
Após a Defensoria Pública afirmar que os três jovens condenados pelo estupro coletivo em Castelo do Piauí não estavam no local do crime, a delegada AnaMelka Cadena, titular da Delegacia da Mulher da Zona Sudeste de Teresina, afirmou na quarta-feira (5) não ter dúvidas quanto à participação dos adolescentes no ato.
Catarina Costa
Do G1 PI
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