A família também denuncia uma suposta negligência médica contra a mãe.
Família de recém-nascida vítima de suposta tentativa de sequestro denuncia negligência médica no Piauí (Foto: Vitória Bacelar)A mãe da recém-nascida alvo de uma tentativa de sequestro na Nova Maternidade Dona Evangelina Rosa relatou à TV Clube que está com o psicológico “acabado” após o caso. A família vive na localidade Açude Várzea, zona rural de Castelo do Piauí, e também denuncia uma possível negligência médica durante o atendimento à adolescente após o parto.
A identidade da mãe e da criança não será divulgada após pedido da família.
Em entrevista à TV Clube, a jovem contou que a gravidez não foi planejada, mas que, ao longo da gestação, a família se preparou para receber a bebê. Segundo ela, a filha é a primeira criança dela e também a primeira neta mulher da família.
A mãe relatou que deu entrada na maternidade no último sábado (4). O parto foi normal, mas ela precisou levar pontos e receber anestesia para o procedimento.
Enxoval da bebê (Foto: Vitória Bacelar)“Quando eu acordei, já veio uma mulher diferente, com a neném no colo, dizendo que já estava lá o pacotinho. Então eu ouvi só minha irmã chorando do lado de fora e eu sem entender nada. Não queriam contar para mim assim, de repente. Mas ela me contou, mesmo sem querer contar. Ela estava abalada, então imagina como eu iria ficar”, relatou.
Segundo a adolescente, as pessoas falaram com ela como se nada grave tivesse acontecido. A família também afirma que o hospital não entrou em contato com os parentes após o caso e que as imagens das câmeras de segurança não foram cedidas, mesmo após solicitação.
“Meu psicológico está acabado. Minha cabeça está a mil. Nunca pensei que ia acontecer isso, porque várias pessoas elogiaram a maternidade. Eu pensei que estava segura lá. Depois que aconteceu isso, tentaram colocar na minha cabeça que era a primeira vez que tinha acontecido no hospital”, contou.
A mãe disse ainda que, após a repercussão do caso, ouviu o relato de outra mulher que teria passado por uma situação semelhante na mesma maternidade. Segundo ela, apesar do susto, a bebê nasceu saudável, no tempo certo e não foi prematura.
Tentativa de retirada da bebê
Daniela Beatriz, de 24 anos, tia da mãe da criança, contou que ficou indignada com a situação e disse que a equipe da maternidade não teria agido de forma rápida no momento do ocorrido.
“Eu fiquei muito indignada porque tinha muita gente, segurança, e ninguém socorreu lá na maternidade. Não fizeram muita coisa. Eles ainda vieram para cima pensando que eu estava agredindo ela. Eu fui falar o que estava acontecendo”, afirmou.
A tia relatou que, se não tivesse reagido, a mulher suspeita poderia ter saído do local com a recém-nascida. Segundo a família, a polícia não foi chamada no momento do ocorrido e o boletim de ocorrência só foi registrado depois da repercussão da denúncia.
O caso teria ocorrido por volta das 13h.
Família também relata suposta negligência médica
Além da suposta tentativa de retirada irregular da bebê, a família também denuncia uma possível negligência médica durante o atendimento à adolescente.
Segundo Daniela, após o parto, a mãe da criança levou pontos e apresentou sangramento, mas a família afirma que um objeto saiu do corpo da adolescente durante um procedimento.
“Quando ela faz pressão na barriga, sai sangue com a tampa da agulha da anestesia. Saiu certinho. Saiu de dentro dela. Eu vi quando aconteceu. Não pude gravar porque não estava com o celular no momento”, disse.
A mãe da bebê contou que sentiu uma dor semelhante à cólica e que, durante o procedimento feito por uma profissional de saúde, a tampa teria saído do corpo dela.
“Deixaram uma tampa dentro de mim. Se a doutora não tivesse ido lá e apertado minha barriga para ver, tinha ficado a tampa dentro de mim”, afirmou.
Apoio à família
Sobre o apoio prestado após o episódio, Daniela afirmou que duas psicólogas e uma assistente social foram até a família para conversar, mas disse que os parentes não se sentiram acolhidos.
“Em nenhum momento elas falaram que a mulher ia ser presa e que iam ficar em cima disso para saber o que estava acontecendo. Elas só falaram que a maternidade não tem culpa. Eu fiquei muito revoltada, porque, quando isso aconteceu, era para eu ter uma assistência enorme, e não teve”, disse a tia.
A família informou ainda que a maternidade disponibilizou um ônibus para o retorno dos parentes a Castelo do Piauí. Segundo os familiares, também teria sido recomendado que a mãe, a bebê e os acompanhantes saíssem pelas portas dos fundos da unidade, para evitar contato com a imprensa.
Marcos, tio da recém-nascida, disse que a família se sente injustiçada pela forma como a situação foi conduzida.
“Em vez de chamar a polícia, ficaram tentando encobrir algumas provas. Isso dá um sentimento de revolta. Porque, na realidade, quem está dentro de uma maternidade é para se sentir seguro. Aí acontece um caso desses. Cadê a segurança?”, questionou.
Fonte: G1/PI























