27/06/2018

Familiares de mortos em chacina em São Miguel do Tapuio pedem por justiça em júri popular

Cinco pessoas foram mortas na chacina, que aconteceu no dia 30 de outubro de 2014. Clewilson Matias Vieira, o Chiê, está sendo julgado nesta terça-feira (26).

Parentes de vítimas de chacina se revoltam durante julgamento

Tristeza e comoção marca o julgamento dede Clewilson Matias Vieira, o Chiê, acusado de matar, em outubro de 2014, sua esposa e mais quatro pessoasna cidade de São Miguel do Tapuio. O julgamento pelo Tribunal Popular do Juri acontece no fórum do município nesta terça-feira (26).


Marlene dos Reis Silva perdeu o pai e o filho na chacina. Filha de Juvêncio dos Reis Silva e mãe de Sidney Tavares Silva, disse que espera por justiça. “Eu espero que a justiça seja feita e que seja muito bem feita, porque na cadeia não vai pagar o que ele fez. Não vai trazer a vida do meu pai e nem do meu filho de volta. Espero que ele apodreça na cadeia”, desabafou emocionada.

Marlene Silva perdeu o pai e o filho na chacina em São Miguel do Tapuio (Foto: Reprodução/TV Clube)

O julgamento fez a comunidade reviver aquele 30 de outubro de 2014. A irmã de Cláudio Barros, um dos mortos na chacina, Maria Aparecida de Oliveira, disse que o dia tem sido de sofrimento para a família. “Tá doendo demais, parece que aconteceu tudo de novo. Está muito dolorido para nós hoje”, mencionou.

A família da esposa de Chiê, Maria Moreira, que também foi morta pelo companheiro na chacina ao tentar impedir o crime, comenta que a situação desestabilizou os filhos do casal, que hoje vivem com familiares. A irmã da vítima, Joana Moreira, relatou também que a vida na comunidade nunca voltou a ser como antes.

Joana Moreira é irmã da esposa de Chiê, que foi morta ao tentar impedir o crime (Foto: Reprodução/TV Clube)

“Nós queremos justiça porque ele tirou a responsabilidade da minha irmã e dele de cuidar dos filhos, e acabou com todo mundo da comunidade. Lá ninguém tem vida, todo mundo vive muito dependente de remédio a partir daquele dia. Eu tenho saudades dela, que era a única irmã que eu tinha, e ele tirou toda a responsabilidade dela e dele para assumir os filhos”, citou.

Julgamento
O júri acontece no fórum da cidade desde 8h30. Ao todo, a previsão é de que 18 testemunhas sejam ouvidas antes das considerações da defesa e da acusação para a decisão do conselho de sentença. Destas, cinco são testemunhas de defesa.

Julgamento acontece em São Miguel do Tapuio. (Foto: Reprodução/TV Clube)

A defesa chegou a tentar a transferência do julgamento para outra comarca, afirmando que o júri formado em São Miguel do Tapuio poderia já estar com um pré-julgamento formado a respeito de Clewilson. A Justiça negou o pedido, solicitando reforço da Polícia Militar da cidade para garantir a segurança do réu.

Foi realizado ainda exame de sanidade mental do acusado, e foi descartada possibilidade de surto durante o crime, pela perícia médica. O documento, assinado por dois psiquiatras forenses, atesta que o acusado fazia uso nocivo de crack, mas que isso não comprometeu seu discernimento.

Crime
A chacina teria sido motivada pelo fato de os moradores do povoado terem organizado um abaixo assinado pedindo a expulsão de Clewilson da comunidade, já que seus vizinhos desconfiavam que ele estivesse aliciando menores para o tráfico de entorpecentes. Revoltado com a ação, e após uma briga com a esposa, ele teria iniciado as execuções.

Após o crime, o réu fugiu e ficou foragido por uma semana, quando foi localizado e permanece preso desde então. O juiz destacou que o réu vai responder por cinco homicídios qualificados, uma tentativa de homicídio qualificado, invasão de domicílio e ameaça.

Vítimas da chacina em São Miguel do Tapuio. (Foto: Reprodução)

Fonte: G1 PI

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