31/05/2018

PI: vítima de violência doméstica faz desabafo após ver a morte de perto


Layana Araújo, moradora da cidade de Boa Hora, relatou como seu ex-marido a espancou na véspera de Natal de 2017. Além de golpes, ela recebeu cadeirada, foi sufocada com uma corda e ficou presa em casa por mais de dois dias. Graças ao aplicativo 'Salve Maria', ela teve como denunciar o caso antes que se tornasse mais um feminicídio.


“No dia 24, que era dia da ceia de natal, até o meio dia a gente não sabia aonde que iria comemorar a ceia de Natal. Aí ele falou que um amigo dele, que há seis anos não andava na Boa Hora, que há seis anos não via a família, tinha vindo, tinha passado na loja e tinha convidado o Zé. E ele decidiu que a gente iria para lá. A gente se ajeitou, se arrumou e saiu, tudo mundo bem”, disse Layana.

Na visita à casa do amigo, o marido a golpeou pela primeira vez após uma pergunta da esposa. “Ele estava conversando com umas mulheres que estavam lá na mesa, umas senhoras. Ele perguntou por uma mulher chamada Keliny. Eu perguntei para ele quem era Keliny, ele não me respondeu. Eu fiz à segunda vez a mesma pergunta e também não me respondeu. 'Quem é Keliny?'. Quando eu falei isso ele me deu o primeiro golpe”, lembrou.


A mulher caiu e foi ajudada por pessoas presentes, menos pelo marido. “Eu caí da cadeira. O pessoal ajudou a me levantar e ficou falando. 'que isso, Zé, não faz isso. Tu vai ser preso, tu lembra, tu já batei nela. Tu vai ser preso'", comentou a mulher.

Os ataques a Layana se intensificaram, o marido segurava a filha enquanto agredia a esposa. “Quando ele começou as agressões mesmo, minha filha já estava dormindo num quarto lá na casa. Quando a moça viu que o negócio estava ficando sério, ela trouxe a menina nos braços aí eu peguei. Quando eu peguei a menina, ele voou em cima de mim, pegou a menina e com uma mão ele segurava a menina dormindo, com a outra mão ele me agredia”, continuou.

O homem não parou de golpeá-la. “Teve um certo momento que ele me deu um golpe que eu caí no chão. Já com a menina nos braços, ele pegou a menina, entrou no carro e saiu”.

O pior aconteceu em casa, quando Layana tentou ver a filha, que estava dormindo. “Só que quando eu entrei para dentro do quarto para ver a menina, ele me deu um golpe que eu bati a cabeça no portal da porta, que foi onde ficou aquele hematoma maior. Ele começou a me agredir muito dentro do quarto e eu saí para sala de jantar. Aqui eu saí tentando pegar a porta, sentido para sair para fora, ele arrodeou a mesa comigo, pegou a cadeira da mesa de jantar e me golpeou pelas costas”, deixando a esposa desacordada.


Quando recobrou consciência, o marido despejava água nela. “Foi nesse momento que eu caí desacordada. Quando eu acordei, eu lembro que ele estava em pé com uma jarra de água, derramando na minha cara. Eu lembro que eu sentei na ponta da cama, ele pegou uma cordinha verde e amarrou no meu pescoço e dizia todo tempo que eu não ia virar 2018”, relatou Layana com as ameaças.

Layana implorou ao marido para que ele não a matasse. “Eu consegui colocar as mãos por dentro da corda e consegui folgar um pouco. E ele ai apertando e eu ia folgando, eu suplicava muito que ele não fizesse aquilo”.

Mesmo após ter ferido a companheira, o homem ainda pediu para que tivessem relações sexuais. “Chegou um certo momento que eu comecei a gritar muito nessa parte da corda, ele, para me conter os gritos, pegou no meu braço e me pediu para fazer amor. Eu comecei a chorar muito e disse que não. Até pelo fato de que eu não aguentava, eu estava muito machucada, muito”, afirmou. “Eu passei o dia 25, 26, até do dia 27, o dia da prisão dele. Dois dias e meio”, contou Layana, sobre os últimos momentos de cárcere.

Após as agressões, Layana conseguiu se comunicar com uma advogada, que acionou a Polícia Militar (PM) pelo aplicativo Salve Maria. O homem foi preso e Layana foi resgatada com a filha.

Fonte: 180

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