Cidade concentra atendimentos de municípios do norte do Piauí e segue enfrentando pressão na rede pública de saúde.

Foto: Wallyson Soares redes sociais/ @wallysonsoaresdosanjos
Mesmo com novos investimentos federais e estaduais voltados ao fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS), pacientes de Parnaíba e de municípios da região norte do Piauí ainda enfrentam dificuldades para conseguir atendimento especializado, exames e procedimentos de média e alta complexidade.
Parnaíba é um dos principais polos de saúde do litoral piauiense. O Hospital Estadual Dirceu Arcoverde (HEDA), localizado no município, funciona como referência regional para cidades litorâneas e da região norte do estado, concentrando atendimentos de urgência, emergência e especialidades médicas. Dados do Governo do Piauí e da gestão da unidade apontam que o hospital atende pacientes de diversos municípios da região norte do estado.
Para o advogado Wallyson Soares, especialista em direito da saúde, o cenário demonstra que o fortalecimento da saúde pública no interior ainda precisa avançar:
“O acesso à saúde deve ser universal e igualitário. Quando o paciente enfrenta demora excessiva ou precisa sair do seu município para conseguir atendimento, existe um desequilíbrio no cumprimento desse direito constitucional”, afirma.
Nos últimos meses, o Governo Federal ampliou ações voltadas à redução das filas do SUS e ao fortalecimento do atendimento especializado no Piauí. Entre as medidas implementadas está a ampliação dos serviços de radioterapia no Hospital Universitário da Universidade Federal do Piauí (HU-UFPI), em Teresina, após a instalação de um acelerador linear utilizado no tratamento oncológico pelo SUS.
Além disso, o Hospital Estadual Dirceu Arcoverde (HEDA), em Parnaíba, recebeu equipe técnica ligada ao Ministério da Saúde para alinhamentos relacionados ao programa Mais Médicos Especialistas, iniciativa criada para ampliar o acesso a atendimentos especializados em municípios fora dos grandes centros urbanos.
Segundo informações divulgadas pelo Governo do Piauí, a proposta do programa é ampliar a oferta de consultas, exames e cirurgias especializadas, além de reduzir a necessidade de deslocamentos frequentes de pacientes para Teresina.
Apesar do avanço nos investimentos e da ampliação de programas voltados ao atendimento especializado, moradores e pacientes da região frequentemente relatam dificuldades relacionadas ao tempo de espera, à regulação de vagas e à sobrecarga nos atendimentos da rede pública:
“O investimento é importante, mas ele precisa chegar de forma eficiente à população. Não basta anunciar recursos; é necessário garantir execução, fiscalização e melhoria concreta no atendimento”, destaca Wallyson.
O HEDA também vem passando por processos de ampliação e fortalecimento da estrutura hospitalar nos últimos anos, incluindo expansão de serviços especializados e atendimentos regionalizados para pacientes do litoral e do norte do estado.
Para Wallyson Soares, a concentração de especialistas em poucos municípios continua sendo um dos principais desafios da saúde pública no interior do Piauí:
“Quando o sistema não consegue responder dentro do tempo necessário, muitos pacientes recorrem à Justiça para conseguir exames, cirurgias ou medicamentos. Isso mostra que ainda existem falhas importantes na organização da rede pública”, explica.
Dados e estudos do Ministério da Saúde apontam que estados com grande dependência do SUS ainda enfrentam desigualdades regionais no acesso à média e alta complexidade, especialmente fora das capitais e dos grandes centros urbanos:
“O direito à saúde não pode existir apenas no papel. Ele precisa funcionar na prática, principalmente para quem depende exclusivamente do SUS”, conclui Wallyson.
AsCom