
A Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União deflagraram a Operação Mãos Limpas para apurar um esquema que teria causado prejuízo estimado em aproximadamente R$ 40 milhões aos cofres públicos de Teresina em novembro de 2025. A investigação tem como foco contratos de terceirização firmados no âmbito da Secretaria Municipal de Educação (SEMEC) da capital.
Segundo informações divulgadas oficialmente pelos órgãos de controle, foram identificados indícios de fraudes em processos licitatórios, uso de empresas de fachada, superfaturamento e retenção indevida de parte dos salários de trabalhadores terceirizados vinculados à rede municipal de ensino. Parte dos recursos públicos pagos nos contratos pode não ter sido aplicada conforme a finalidade prevista.
O advogado eleitoral Wallyson Soares tem atuado em defesa da transparência e da proteção dos recursos públicos destinados à educação. Para ele, o caso não pode ser tratado apenas como mais um escândalo administrativo, mas como um episódio que afeta diretamente crianças, trabalhadores e famílias:
“Quando recursos da educação são desviados, não estamos falando apenas de números. Estamos falando de salas de aula que deixam de ser reformadas, de materiais que não chegam e de trabalhadores terceirizados que, segundo as investigações, tiveram parte do próprio salário retido. Isso é grave sob o ponto de vista jurídico e ainda mais grave sob o ponto de vista social”, afirma.
Wallyson destaca que os reflexos podem ultrapassar a esfera criminal e administrativa: “A Constituição estabelece princípios como legalidade, moralidade e eficiência. Se confirmadas as irregularidades, há consequências que podem alcançar também a esfera eleitoral, inclusive hipóteses de inelegibilidade em casos de atos dolosos de improbidade. Transparência não é discurso político, é obrigação legal.”
Segundo o advogado, o maior prejuízo é coletivo: “Cada real que não chega à escola representa uma oportunidade perdida no futuro de uma criança. Educação é investimento estruturante. Defender a correta aplicação desses recursos é defender o direito fundamental à educação e o respeito ao trabalhador”, conclui.
A operação contou com apoio técnico do Tribunal de Contas do Estado do Piauí (TCE-PI). Por determinação da Justiça Federal, foram cumpridos mandados judiciais e houve bloqueio de bens e ativos financeiros dos investigados, como forma de assegurar eventual ressarcimento aos cofres públicos.
As investigações seguem em andamento na Justiça Federal. De acordo com os órgãos responsáveis, novas medidas poderão ser adotadas conforme o avanço das apurações.
LETICIA SOARES GRAF -grafimprensa@gmail.com