17/03/2022

Operação da PF faz buscas em Parnaíba e Teresina contra fraudes no Seguro Defeso

Há mandados sendo cumpridos no Piauí e em mais 11 estados. Prejuízo é estimado em R$ 1,6 bilhão.

Sede da Polícia Federal em Teresina — Foto: Beto Marques/G1

A Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão em Teresina e em Parnaíba nesta quinta-feira (17) por meio da Operação Tarrafa. O objetivo é investigar uma organização criminosa que aplicou fraudes milionárias no Seguro Desemprego do Pescador Artesanal – SDPA (também conhecido como “Seguro Defeso”). Há mandados sendo cumpridos no Piauí e em mais 11 estados.

No Piauí, há dois mandados sendo cumpridos na capital e um na cidade de Parnaíba, no litoral. Os dois mandados são de buscas e não há informações sobre quais são os endereços alvos.

Ao todo, estão sendo cumpridos 180 mandados de busca e apreensão e 35 mandados de prisão preventiva, com a participação de mais de 600 Policiais Federais. As ações estão ocorrendo em 12 unidades da federação: Pará, Maranhão, São Paulo, Ceará, Bahia, Pernambuco, Minas Gerais, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Goiás, Tocantins e Piauí.

Início das investigações
Segundo a PF, as investigações tiveram início em 2020, quando foi constituído Grupo de Trabalho envolvendo a Polícia Federal, Secretaria da Pesca – SAP/MAPA, INSS, Secretaria Especial de Previdência e Trabalho – SEPT/ME, Caixa e Dataprev.

Os trabalhos efetuados identificaram diversos elementos de fraudes cometidas na inserção dos dados no Registro Geral de Pescador e, posteriormente, no pedido de deferimento do benefício previdenciário.

"O aprofundamento dos trabalhos investigativos permitiu à Polícia Federal identificar a utilização de, ao menos, 102 Certificados Digitais de Identificação fraudulentos expedidos em nome de servidores públicos. A organização criminosa, utilizando destes certificados falsos, conseguiu gerar cerca de 436 mil pedidos de SDPA, envolvendo cerca de 400 mil CPFs e com participação de diversas colônias/sindicatos/associações de pescadores", informou.

R$ 1 bilhão de prejuízo
Os benefícios, segundo a PF, geraram pagamentos de aproximadamente R$ 1,5 bilhão (um bilhão e quinhentos e vinte milhões de reais a solicitantes) em 1.340 municípios.

As investigações apontam o possível envolvimento de 42 servidores públicos, sendo que 6 da Secretaria de Aquicultura e Pesca no Pará estão sendo afastados por decisão judicial nesta data.

Os fatos investigados enquadram os membros da organização criminosa nos crimes de estelionato (art. 171 §3º do CP), participação em organização criminosa (art. 2º da Lei 12.850/2013), falsificação de documento público (art. 297 do CP), uso de documento falso (art. 304 do CP), inserção de dados falsos em sistemas de informação (art. 313-A do CP), corrupção passiva (art. 317 do CP) e corrupção ativa (art. 333 do CP).

Operação Tarrafa
O nome da operação se refere a um equipamento utilizado para a pesca artesanal, em alusão ao tipo de benefício que é objeto da ação da organização criminosa. Ressalta-se que a Polícia Federal realiza suas ações seguindo todos os protocolos de segurança atualmente vigentes.

Fonte: Portal G1 PI

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