28/08/2020

Operação da PF que afastou governador do Rio faz buscas no PSC de Teresina



A operação deflagrada pela Polícia Federal na manhã desta sexta-feira (28) que afastou, por ordem do Superior Tribunal de Justiça (STJ ), o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), do cargo, tem repercussão em Teresina. A sede do PSC do Piauí e o portal Clube Sat, na avenida Frei Serafim, foram alvo da operação, onde agentes fizeram busca e apreensão. Para entrar na sede do partido, um cadeado do portão foi quedrado. Os policiais usaram carros descaracterizados para chegar aos prédios.

A ação dos policiais é acompanhada por uma equipe da fiscalização de prerrogativas da Ordem dos Advogados do Brasil, secção Piauí. O partido é presidido pelo advogado Valter Alencar, que é pré-candidato a prefeito de Teresina, e foi assessor de Wilson Witzel, que se pronunciou sobre o caso (veja nota abaixo). 

De acordo com a Polícia Federal, a operação de hoje TRIS IN IDEM tem o objetivo de desarticular organização criminosa voltada ao desvio de recursos públicos, especialmente em contratos firmados para gestão de saúde e para o combate à pandemia da COVID-19. Também foram identificados atos de lavagem de dinheiro por parte da organização.

Além do Rio de Janeiro e Piauí, os policiais cumprem mandados em Alagoas, Espírito Santo, Sergipe, Minas Gerais, São Paulo e Distrito Federal. São seis mandados de prisão preventiva, dez mandados de prisão temporária, e 82 mandados de busca e apreensão. Também existem ações de cooperação policial internacional com medidas sendo cumpridas no Uruguai.

A operação de hoje decorre da Operação Placebo, deflagrada no mês de maio deste ano a partir de elementos colhidos na Operação Favorito, da PF, no mesmo mês, voltada para apurar atos de corrupção na prestação de serviços de implantação de leitos em Hospitais de Campanha e no fornecimento de ventiladores pulmonares e medicamentos.

Com o prosseguimento das investigações, novos elementos de prova foram obtidos, e fundamentaram a representação por novas medidas cautelares junto ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Na operação, participam aproximadamente 380 Policiais Federais que recebe o apoio da Procuradoria Geral da República e da Receita Federal.

Além dos mandados, foram determinadas, pela Justiça, outras medidas diversas da prisão, tais como suspensão do exercício de função pública, proibição de contatos e de acesso a determinados locais.

Os investigados responderão, na medida de suas participações, pelos crimes de organização criminosa, da Lei 12.850/2013; peculato, corrupção ativa e corrupção passiva, previstos no Código Penal Brasileiro; e "lavagem de dinheiro", da Lei 9.613/1998.



Outro lado
A advogada do partido, Ravena Mendes, acompanhou a diligência dos policiais na sede do PSC e reafirmou que a operação é oriunda de Brasília e acontece pela ligação que o presidente da sigla teve com o governador Witzel, mas que segundo ela, ele já se afastou há mais de um ano.

Ela destacou que os policiais foram até a sede do site ClubeSat, mas que Valter Alencar não te ligação com veículo de comunicação. “Mesmo que o portal não tenha ligação nenhuma, que o Dr. Valter não faz parte do quadro societário, eles foram no portal Clube Sat também. Mas a gente está colaborando”, destacou.

O presidente estadual do PSC, Valter Alencar, enviou uma nota de esclarecimento onde afirma que a “operação padrão” ocorre “apesar de não existir qualquer tipo de ligação societária”. Ele confirma que participou do governo de Witzel, mas está desligado, por decisão própria, há cerca de um ano, mas que por este motivo “a Polícia Federal está cumprindo protocolos no estado do Piauí”.

Valter Alencar encerra a nota dizendo que “estou tranquilo e colaborando com o trabalho da polícia, que visa combater a corrupção no Brasil, em um momento tão complicado de pandemia. Confio na Justiça e no meu direito de defesa”.

Veja nota na íntegra:
Valter Ferreira de Alencar Pires Rebelo, presidente estadual do Partido Social Cristão (PSC-PI), vem informar através de nota que foi realizada uma operação padrão de busca e apreensão da Polícia Federal na sede do partido PSC, no Piauí. Assim como no Portal de notícias Clube Sat, apesar de não existir qualquer tipo de ligação societária com esse noticiante. Tal operação trata-se de uma ramificação das investigações que estão ocorrendo no Governo do Rio de Janeiro, que é do mesmo partido político. Cabe ressaltar que ocupei um cargo de assessoria no governo de Witzel, no qual estou há mais de um ano afastado, por decisão minha, e por esse motivo a Polícia Federal está cumprindo protocolos no estado do Piauí. Estou tranquilo e colaborando com o trabalho da polícia, que visa combater a corrupção no Brasil, em um momento tão complicado de pandemia. Confio na Justiça e no meu direito de defesa.


Lídia Brito e Caroline Oliveira
redacao@cidadeverde.com

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