Segundo a Polícia Civil, o grupo, sediado no Piauí, fez vítimas em São Paulo, Maranhão, Pernambuco, Bahia, Santa Catarina, Rio de Janeiro, Mato Grosso e Minas Gerais.
Suspeitos presos. | Foto: SSP-PIO grupo suspeito de aplicar fraudes eletrônicas por meio do golpe conhecido como SIM Swap teria causado um prejuízo de ao menos R$ 500 mil a vítimas em todo o Brasil, segundo o delegado Humberto Márcola, do Departamento de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC). Os investigados são alvos da Operação Chip Falso.
Estamos ouvindo pessoas no Brasil inteiro para conseguir debelar essa organização, destacou o delegado.
As investigações apontam que o grupo acessava indevidamente sistemas de operadoras para alterar fraudulentamente a titularidade de linhas telefônicas, prática conhecida como SIM Swap. Para isso, eram usados documentos falsificados e selfies biométricas manipuladas.
Após assumir o controle dos números, os suspeitos teriam realizado compras fraudulentas com cartões, clonagem de contas do WhatsApp e invasão de contas bancárias, com movimentações financeiras indevidas.
Segundo a Polícia Civil, o grupo, sediado no Piauí, fez vítimas em São Paulo, Maranhão, Pernambuco, Bahia, Santa Catarina, Rio de Janeiro, Mato Grosso e Minas Gerais. Ainda de acordo com o delegado Humberto Márcola, pelo menos 120 pessoas forneceram suas biometrias para a organização.
Temos pelo menos 120 pessoas que entregaram o seu cadastro, eh sua biometria facial para eh a liderança dessa organização, para que os chips que estavam em titularidade de outras pessoas no Brasil inteiro, Rio de Janeiro, São Paulo, nós temos Fortaleza, temos eh quase o Brasil inteiro para transferir para chips, disse.
OPERAÇÕES
A primeira fase da operação foi deflagrada no dia 15 de julho deste ano. Ao todo, foram cumpridas 30 ordens judiciais em Teresina. A segunda fase da Operação Chip Falso II foi deflagrada nesta quinta-feira (20), com o cumprimento de 32 mandados, entre prisões temporárias e buscas e apreensões, expedidos pela Central de Inquéritos da Comarca de Teresina.
LÍDER PRESO
Durante a ação desta quinta-feira, Lívio Fernando de Oliveira Sousa, mais conhecido como Lívio da Caverna, foi preso no bairro Três Andares, na zona Sul de Teresina. Ele é apontado como líder do grupo criminoso. Sua companheira, Rosana Rodrigues da Silva, que também havia sido alvo na primeira fase da operação, se entregou à polícia em 30 de julho.
Ele é o líder da organização, ele captava as pessoas, ele oferecia valores para as pessoas. Nós já temos essa informação. As pessoas, que entregavam esses cadastros, já confessaram dizendo que ele abordava, fazia festa, nas festas ele oferecia valores para que a biometria desse pessoal pudesse ser inserida de forma não autorizada no sistema das operadoras.
Segundo o delegado, em depoimento, Rosana, que também seria uma das cabeças do golpe, alegou ter sido utilizada pelo companheiro. No entanto, o delegado informou que as provas colhidas no inquérito são robustas contra ela. Lívio também foi baleado em outra ocasião, no início deste ano.
O objetivo da ação também foi capturar outros integrantes do grupo que, segundo as investigações, forneciam os próprios dados pessoais para viabilizar fraudes eletrônicas junto a operadoras de telefonia.
Foi muito proveitosa a primeira fase, porque nós tivemos informações de como eles conseguiram entrar no sistema. Já sabemos como como eles entravam, nós não vamos divulgar aqui para não prejudicar as investigações, mas a liderança presa hoje, ela vai fornecer ainda mais informações e possivelmente teremos mais fases dessa operação, afirmou o delegado
CASA USADA PARA ATRAIR PESSOAS
Na primeira fase da operação, a polícia conseguiu identificar e debelar uma casa no bairro Monte Castelo, onde eram realizadas festas para atrair pessoas e aplicar os golpes. No entanto, os suspeitos continuaram os crimes em uma nova residência.
Podemos afirmar que eles saíram da da Rua Sisyfo, lá na no Monte Castelo, e foram para uma outra casa e lá continuaram aplicando o golpe. Você vê aí a reincidência, a ousadia nesse tipo de modalidade. Nós estamos ainda em investigações, iremos, com certeza, concluir essa investigação, disse o delegado.
ORIENTAÇÃO À POPULAÇÃO
A Polícia Civil do Piauí reforça o alerta à população para os sinais de um possível ataque por SIM Swap. A perda repentina e prolongada do sinal de voz e dados do celular, sem motivo aparente, pode indicar uma troca de chip não autorizada.
Nesses casos, a orientação é entrar em contato imediatamente com a operadora de telefonia para verificar a situação e adotar as medidas de segurança necessárias.
A ação foi coordenada pelo Departamento de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), com apoio da Superintendência de Operações Integradas (SOI), do Departamento de Operações Policiais Especiais (DEOP) e do Departamento de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (DRACO).
Fonte: Portal MeioNews