06/07/2026

Hospital São Marcos diz precisar de R$ 4 milhões a mais por mês para retomar novos atendimentos oncológicos

Unidade suspendeu a entrada de casos pelo SUS e afirma que os valores atuais não cobrem os custos dos tratamentos realizados.

Hospital São Marcos, no Centro de Teresina — Foto: Ilanna Serena/g1

O Hospital São Marcos, em Teresina, informou nesta segunda-feira (6) que precisa de um reforço de R$ 4 milhões por mês, além dos recursos que já recebe do Sistema Único de Saúde (SUS), para voltar a atender novos pacientes com câncer. Segundo a instituição, os repasses atuais não cobrem os custos dos serviços prestados pela unidade.

A suspensão temporária da entrada de novos pacientes oncológicos foi anunciada na última sexta-feira (3). De acordo com o hospital, a medida foi adotada devido à insuficiência dos recursos destinados ao atendimento.

Durante uma coletiva de imprensa, o diretor técnico do hospital, Marcelo Martins, afirmou que a dificuldade financeira não está relacionada à gestão da unidade, mas aos valores recebidos pelos serviços prestados ao SUS.

Segundo o São Marcos, unidades com perfil semelhante em outros estados recebem repasses maiores para o atendimento de pacientes pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Dados apresentados pela instituição, com base em 2023, apontam que o Hospital Oncológico Infantil do Pará recebe 4,5 vezes o valor da tabela do SUS por criança atendida.

Os dados também mostram que o AC Camargo Câncer Center, em São Paulo, recebe 3,9 vezes o valor da tabela. Já o Hospital São Marcos recebe o equivalente a 1,1 vez o valor-base do SUS.

"Quando eu comparo com os pares, a diferença é absurda. O São Marcos recebe menos do que o resto do país. O São Marcos passa por dificuldades financeiras, por subfinanciamento", afirmou o diretor técnico.

Impacto no atendimento

O Hospital São Marcos realiza quase 40 mil atendimentos oncológicos por ano e está entre os dez serviços com maior produção na área no país. Atualmente, a unidade registra cerca de 4.900 sessões de quimioterapia por mês.

Segundo o diretor, a suspensão da entrada de novos pacientes tem como objetivo garantir a continuidade do tratamento das pessoas que já são atendidas pelo hospital.

"Estamos fazendo um esforço gigantesco para tentar ter condições de manter o atendimento das pessoas que já estão aqui", destacou Martins.

O diretor afirmou ainda que um eventual colapso da unidade comprometeria a assistência oncológica no estado. Segundo ele, nenhuma outra estrutura de saúde no Piauí tem capacidade para absorver a demanda atualmente atendida pelo hospital.

O que dizem os gestores

A Fundação Municipal de Saúde (FMS) e a Secretaria de Estado da Saúde do Piauí (Sesapi) foram comunicadas sobre a situação. Segundo Marcelo Martins, representantes dos dois órgãos reconheceram, durante reuniões técnicas, que os recursos atuais são insuficientes para manter o serviço.

A presidente da Fundação Municipal de Saúde (FMS), Leopoldina Cipriano, informou que o órgão tenta obter um reforço de R$ 90 milhões junto ao Ministério da Saúde para os serviços de oncologia de Teresina.

Enquanto não há definição sobre novos recursos, pacientes que precisarem iniciar tratamento deverão ser encaminhados ao Hospital Getúlio Vargas (HGV) e ao Hospital Universitário (HU).

Marcelo Martins defendeu que a solução passa pela revisão do contrato e dos valores pagos pelos serviços prestados pelo hospital.

"Não proteger esta casa é uma irresponsabilidade. O São Marcos precisa ser contratualizado dentro de um contrato que contemple a remuneração compatível com a complexidade e grandiosidade dos serviços que presta", concluiu.

Fonte: G1/PI

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