Foto: ReproduçãoA morte de Antônio Carlos de Amorim, conhecido como Deda, provocou uma forte comoção em Picos não apenas pela violência do crime, mas pela história que ele construiu junto à comunidade. Morto após ser espancado na madrugada desta quarta-feira (29), nas proximidades do Estádio Helvídio Nunes, Deda era reconhecido como fundador da Arena Paroquial, projeto social que, há cinco anos, utiliza o esporte como ferramenta de inclusão e hoje atende cerca de 100 crianças.
A Polícia Civil investiga o homicídio e ainda busca identificar os autores e esclarecer a motivação do crime. Enquanto as investigações avançam, moradores, familiares e voluntários se unem para lembrar a trajetória de um homem que, segundo eles, deixou um grande legado.
De um terreno abandonado nasceu um projeto social
Muito antes de a Arena Paroquial se tornar referência em Picos, o espaço era apenas um terreno tomado pelo lixo.
Segundo Paulo Afonso, atual diretor do projeto, foi Deda quem teve a iniciativa de transformar o local.
“Ele foi quem deu o pontapé inicial. Pegou uma enxada e começou a limpar aquele pedaço de barro que era praticamente um lixão. Ali começou tudo. Nós, como pais, fomos vendo a força de vontade dele, nos aproximamos e fizemos o projeto crescer. Hoje a Arena Paroquial existe há cinco anos e se tornou um projeto modelo em Picos”, conta.
Com o passar do tempo, outros voluntários passaram a participar da iniciativa, que ganhou estrutura e passou a reunir dezenas de crianças do bairro Paroquial.
Atualmente, aproximadamente 100 crianças participam das atividades desenvolvidas gratuitamente.
Além do trabalho comunitário, Deda também era lembrado por seu talento artístico: foi baterista e integrou uma banda com a família por anos na região.
Esporte para afastar crianças das drogas
Mais do que ensinar futebol, a Arena Paroquial trabalha valores como disciplina, respeito e responsabilidade.
Segundo Paulo Afonso, o projeto nasceu justamente para impedir que outras crianças seguissem caminhos semelhantes aos enfrentados por Deda, que lutava contra a dependência química e o alcoolismo.
“O que nos motiva é justamente não deixar que essas crianças caiam nas tentações que ele caiu, como as drogas, o álcool e os jogos. A gente cobra disciplina, respeito aos pais, compromisso com a escola e com o próximo”, explica.
O diretor explica que todo o trabalho é desenvolvido de forma voluntária.
"Todo mundo aqui é voluntário. Ninguém recebe nada. A gente faz porque acredita. Os pais ajudam, a comunidade ajuda e é isso que faz o projeto continuar."
Após a morte do fundador, os integrantes afirmam que pretendem fortalecer ainda mais o trabalho.
"O que ele fez é um legado que jamais será apagado. Agora a gente vai focar mais ainda em manter esse projeto vivo em memória dele."
Foto: Reprodução / Redes sociais"Ele não fazia mal a ninguém"
Embora enfrentasse problemas com alcoolismo e dependência química, Paulo Afonso afirma que Deda nunca foi uma pessoa violenta.
"Infelizmente ele caiu no vício da droga e do álcool, mas isso só afetava a vida dele. Ele não fazia mal a ninguém, não brigava, não provocava ninguém, não mexia com ninguém."
Segundo o diretor, esse perfil explica a indignação provocada pelo crime. "É isso que está causando revolta na população inteira. Não só aqui no bairro, mas em toda a cidade. Ele era querido por todo mundo."
Filho diz que pai era conhecido pela generosidade
O filho da vítima, Robson Jackson, também descreve Antônio Carlos como alguém sempre disposto a ajudar.
"Era uma pessoa muito proativa, generosa, respeitadora. Nunca teve atrito com ninguém. Todo mundo que conhecia ele sabia da índole dele. Era uma pessoa de bom coração."
Segundo Robson, o pai ainda chegou consciente ao Hospital Regional Justino Luz, mas apresentava graves lesões provocadas pelas agressões.
"Ele chegou falando, mas com muitas dores. Quebrou o braço, sofreu muitas pancadas na cabeça, teve uma hemorragia e sofreu três paradas cardíacas."
A família agora aguarda o resultado das investigações e cobra a identificação dos responsáveis.
Fonte: Cidadeverde.com