23/05/2026

Vigilante é condenado a mais de 42 anos por matar jovem e torturar amigos no PI

Foto: Freepik

O Tribunal Popular do Júri da Comarca de Bom Jesus condenou o guarda patrimonial noturno Ednário de Carvalho Brito a 42 anos, 3 meses e 15 dias de prisão pelo assassinato do jovem Pedro Felipe Evangelista Neto, conhecido como “Pepê”, além de quatro crimes de tortura e posse ilegal de arma de fogo.

O crime aconteceu na madrugada de 29 de junho de 2024, no município de Redenção do Gurguéia, a cerca de 660 km de Teresina. A sentença foi assinada nesta quinta-feira (21) pelo juiz Cleber Roberto Soares de Souza.

Na decisão, o magistrado destacou a frieza do acusado ao executar a vítima sem qualquer chance de defesa.

“A forma como o crime foi praticado revela a extrema crueldade, maldade e frieza do acusado que sem qualquer remorso ou sentimento de humanidade executou uma vítima indefesa com um tiro na nuca e ajoelhada. Assim agindo, o acusado reduziu a vítima à condição de mero objeto, uma caça indefesa”, registrou o juiz na sentença.

Relembre o crime

De acordo com a denúncia do Ministério Público Estadual, Pedro Felipe e mais quatro amigos haviam saído de uma festa e conversavam na calçada em frente à residência de um deles, aguardando o amanhecer para tomar café. Por volta das 05h50, Ednário, que trabalhava como vigilante na rua, chegou ao local em sua motocicleta.

Sem qualquer motivo ou discussão prévia, o agressor sacou um revólver calibre .38 e ordenou que todos os cinco jovens encostassem na parede, ficassem de joelhos e colocassem as mãos na cabeça. Sob a justificativa de estar "protegendo" a área, o réu passou a torturar psicologicamente os rapazes para que "confessassem" o que faziam ali.

Mesmo com os jovens explicando que um deles morava na casa em frente, Ednário passou a desferir chutes contra o grupo e encostou a arma na nuca de um dos rapazes repetindo a ameaça:

“Oh! Aqui é só um tiro! Vou matar um e vai ficar os quatro!”.

Em seguida, o vigilante encostou o revólver na nuca de Pedro Felipe e efetuou o disparo. O tiro atingiu o polegar esquerdo da vítima (que estava na cabeça) e a região cervical, matando o jovem no local.

Após o crime, o acusado foi encontrado pela Polícia Militar dormindo em casa. Na residência, os policiais apreenderam o revólver utilizado no homicídio e munições.
Crime teve impacto na rotina local

Na fundamentação da sentença, o juiz também destacou os impactos do crime na rotina da cidade. Segundo testemunhas ouvidas no processo, o caso provocou medo na população e chegou a alterar a duração de festas culturais tradicionais do município.

O magistrado ainda apontou que o réu exercia a função de vigilante noturno e teria atuado em contexto de “suposta usurpação de função estatal de polícia”.

Ednário permanecerá preso e cumprirá a pena em regime inicial fechado. O juiz negou ao condenado o direito de recorrer em liberdade, citando a gravidade concreta do crime e o risco à ordem pública.

Fonte: Cidadeverde.com

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