05/02/2026

Decisão de Alexandre de Moraes retoma cobrança de ICMS sobre energia solar no PI

Foto: Rosinei Coutinho / SCO / STF

O ministro Alexandre de Moraes, vice-presidente do Supremo Tribunal Federal no exercício da Presidência, suspendeu os efeitos da decisão do Tribunal de Justiça do Piauí que havia afastado a cobrança de ICMS sobre a energia elétrica excedente gerada por micro e minigeradores de energia solar no estado. A medida atendeu a pedido do Governo do Piauí e restabelece a interpretação da Secretaria da Fazenda que permite a incidência do imposto no sistema de compensação de energia elétrica.

A decisão do STF interrompe os efeitos da medida cautelar concedida pelo TJPI em ação proposta pelo Partido Progressista, que sustentava não haver fato gerador do ICMS na energia injetada na rede por consumidores com geração distribuída. Para o tribunal estadual, a energia excedente caracterizaria apenas um empréstimo gratuito à distribuidora, sem circulação jurídica ou transferência de titularidade.Justiça suspende ICMS da energia solar e aponta descumprimento de liminar no PI

Ao analisar o pedido do governo estadual, Alexandre de Moraes considerou que a manutenção da decisão do TJPI poderia provocar grave lesão à ordem e à economia públicas. Segundo os dados apresentados pelo Estado, a suspensão da cobrança representaria um impacto de aproximadamente R$ 3 milhões por mês na arrecadação do ICMS, com potencial de ultrapassar R$ 175 milhões ao considerar créditos tributários já constituídos e a multiplicação de ações semelhantes.

Na decisão, o ministro destacou que o pedido de suspensão não examina o mérito definitivo da controvérsia, mas avalia os efeitos imediatos da medida judicial sobre as finanças públicas.


“Trata-se de quantia expressiva, cuja falta pode comprometer a prestação dos serviços públicos, configurando risco concreto de grave lesão à economia pública, especialmente diante do efeito multiplicador da decisão impugnada”, afirmou, ao fundamentar o deferimento do pedido, registrou o ministro.

Foto: Cidadeverde.com


Alexandre de Moraes também ressaltou que a controvérsia envolve matéria tributária e regulatória sensível, relacionada à política pública de arrecadação e à estrutura do sistema elétrico, o que exige cautela na atuação do Judiciário em sede de decisões provisórias.

“A suspensão de liminar destina-se a resguardar a ordem e a economia públicas, não sendo possível, nesse momento processual, avançar na análise aprofundada do mérito da ação direta de inconstitucionalidade que tramita na origem”, acrescentou, concluiu o ministro.

Com a decisão, ficam suspensos o acórdão do Tribunal de Justiça do Piauí e todas as decisões subsequentes baseadas nesse entendimento, até o julgamento definitivo da matéria. O Supremo determinou a comunicação imediata ao TJPI e deu ciência à Procuradoria-Geral da República.

Fonte: Cidadeverde.com

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