Selene Veras Roque, de 28 anos, foi assassinada pelo marido Raimundo Neto Pereira em junho de 2018, no povoado Brejinho, Zona Rural do município.
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Professora foi morta com 26 facadas no litoral do Piauí — Foto: Reprodução/Facebook
O julgamento de Raimundo Neto Pereira, de 34 anos, pelo Tribunal Popular do Júri acontece nesta quinta-feira (8). Ele é acusado de matar sua esposa, Selene Veras Roque, em junho de 2018, no povoado Brejinho, Zona Rural de Luís Correia, no Piauí.
O suspeito chegou ao Fórum de Luís Correia onde acontece a sessão por volta das 8h15. Com cartazes, familiares e amigos da vítima afixaram cruzes em frente ao local e protestaram, pedindo justiça e o fim de feminicídios.
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Familiares e amigos de professora assassinada no Piauí pedem justiça — Foto: Tiago Mendes/TV Clube
Mãe relatou torturas e ameaças à criança
Em entrevista à TV Clube, a mãe da vítima, Silvia dos Santos Veras, relatou que soube de desentendimentos entre o casal e agressões sofridas pela filha somente após o crime. Segundo ela, a filha de Selene Veras, de sete anos, presenciou momentos de violência.
"Ela nunca me falou nada, tanto que foi mais duro por isso. Ela deixou minha netinha, eu perguntei 'por que você não me avisou? Eu teria vindo aqui e tirado ela dele, teria fugido com ela'. E ela disse 'ele falava que se eu contasse para minha avó, me matava também'. Ela disse que muitas das vezes abria os olhos e pensava 'não vou dormir, vou ficar com os olhos abertos para ver quando ele começar a bater nela", contou a mãe de Selene.
De acordo com Silvia Veras, o homem chegou a encher garrafas com dois litros de água e obrigava a vítima a beber. Caso ela reclamasse, ele a agredia. "O que a gente pede é justiça, que ele seja condenado com a pena máxima, porque foi muito triste o que ele fez com a minha filha", disse a mãe.
Julgamento adiado uma vez
Inicialmente, a sessão estava prevista para o dia 9 de junho deste ano. Mas foi suspensa depois que a defesa do acusado solicitou adiamento após uma das juradas passar mal e ser socorrida por uma profissional de saúde, que prestou atendimento médico.
A primeira audiência do caso, de instrução e julgamento, aconteceu em julho de 2018. Na ocasião, a defesa alegou insanidade mental do acusado, ou seja, no momento do crime o homem estaria "fora de si" e não poderia responder por ele.
Relembre o crime
A professora Selene Roque Veras, de 28 anos, foi assassinada com 26 perfurações de facão na casa em que morava em Luís Correia, na noite do dia 3 de junho de 2018. Raimundo Neto Pereira fugiu após cometer o crime. Após quase 72 horas foragido, o homem se entregou acompanhado do advogado.
O delegado de Polícia Civil de Luís Correia, Maikon Kaestner, afirmou que o suspeito alegou um desentendimento do casal antes do crime.
“O casal já vinha brigando há muito tempo. Já tinham se separado algumas vezes e havia ciúmes por parte dele. Ele falou que a relação estava desgastada e ele não queria a separação. No domingo, ele deixou cedo ela na aula e foi ao bar beber. Meio dia, pegou ela, almoçaram, tiveram uma leve discussão e foram discutindo para o povoado onde moravam. Voltando para casa, eles continuaram a discussão até o momento que ela pediu a separação, dizendo que não o amava mais", relatou.
“Depois, acirrou a briga até o momento em que estavam na sala discutindo, e ele querendo que ela ficasse. A filha não estava no local, estava na casa da madrinha. Ele estava na cozinha, lembra que pegou uma faca e, dizendo ele, que não lembra como foi no calor da emoção. Não lembra quantas facadas, disse que só veio a si quando se deparou com ela morta no chão”, detalhou o delegado.
O facão utilizado no crime foi apreendido dentro da residência. A professora foi atingida por perfurações no pescoço, abdômen, tórax, braços e nas costas, e morreu ainda no local.
Fonte: Portal G1 PI