19/08/2020

Tony Trindade dormiu na Penitenciária Irmão Guido; caso pode passar por reviravolta

(Foto: Reprodução)

O jornalista Tony Trindade (Band Piaui e O Dia), preso na manhã desta terça-feira (18/08) em operação da Polícia Federal, dormiu em uma cela especial da Penitenciária Irmão Guido, localizada em trecho da BR-316, zona rural de Teresina.

A reportagem do OitoMeia ouviu fontes, advogados, jornalistas e pessoas próximas à Tony Trindade e alguns garantem: o caso pode sofrer uma reviravolta nos próximos dias e ele ser solto. O advogado Lucas Villa falou sobre o assunto.

Segundo a PF, na operação que recebeu o nome de ‘Acesso Negado’, Tony Trindade é acusado de “monitorar” as investigações que culminaram na ‘Operação Delivery’ e de ter “acesso a informações sigilosas”, o que teria colaborado para destruir provas e manipular depoimentos de investigados.

O que está entre aspas foi repassado pelo delegado Alan Reis, que comanda o inquérito que culminou na prisão do jornalista. De acordo com o delegado, Tony Trindade teria tido essas informações privilegiadas através de um agente público ainda não identificado. Além de Tony Trindade, mais dois advogados foram alvos da operação, mas não tiveram seus nomes revelados.Tony Trindade, jornalista da Band Piauí e jornal O Dia, está preso em uma cela na Irmão Guido 

AS OPERAÇÕES

Vamos por partes. Primeiro é preciso entender que a ‘Acesso negado’ é uma espécie de desdobramento da ‘Delivery’, realizada em maio deste ano e que culminou com a prisão de cinco pessoas. Dentre elas o secretário de Educação da cidade de União Marcone Martins e o vereador do mesmo município Frankylandy. A operação naquela época investigava desvio de recursos da Educação. Agentes públicos chegaram a ser presos com quase R$ 400 mil em espécie e não sabiam explicar de onde e para onde iria o dinheiro. Essa operação começou com a prisão feita pela Polícia Militar, depois foi para a Polícia Civil e, por se tratar de recursos oriundos do Governo Federal, setor da Educação, a PF foi acionada.

Entre os presos na Operação Delivery, estão o secretário de Educação Marcone e o vereador Frankylandy (Fotos: Reprodução)

ONDE ENTRA TONY?

Envolvidos nesta investigação teriam contratado os dois escritórios de advocacia que foram alvos da ‘Acesso Negado’, além do jornalista Tony Trindade, que teria sido contratado para um serviço de assessoria de imprensa e consultoria, para defender a imagem de seus clientes e o que saia na imprensa. É aí que, segundo a PF, Tony Trindade teria agido para atrapalhar as investigações inclusive tendo acesso a dados sigilosos e atrapalhando as investigações. “O ato praticado pelos advogados foi tão somente isso (ter acesso às informações do processo que seriam ilegais). Tem sua gravidade? Tem. Mas não tanto como os atos praticados pelo jornalista. A gente percebeu nos depoimentos que eles foram convergentes. Tinham a mesma versão apresentada. Outra situação é que os investigados sabiam a data da operação “, explicou o delegado.

Advogado Lucas Villa faz a defesa de Tony Trindade: “Acreditamos muito que foi uma interpretação equivocada” (Foto: Reprodução)

PODE HAVER UM REVIRAVOLTA

Entretanto, todo o caso pode sofrer uma grande reviravolta. A reportagem do OitoMeia apurou junto a fontes e pessoas próximas a Tony Trindade, que ele em nenhum momento demonstrou estar inquieto com a situação. Pelo contrário, se colocou a disposição de prestar o devido depoimento -e prestou- à Polícia Federal sobre seu suposto envolvimento. Tony teria dito em seu depoimento que não acredita ter tido acesso a qualquer informação que atrapalhe as investigações. Esta versão é confirmada por um dos seus advogados de defesa, Lucas Villa, que falou ao OitoMeia sobre o assunto, mas preferiu não dar mais detalhes sobre como agirá a defesa por respeitar tanto o trabalho da Polícia, como da Justiça. “Nós acreditamos que na verdade houve um grande mal-entendido. Confundiram o trabalho dele, que é o de assessoria e gestão de crise e imagem, com algum tipo de interferência no processo. Quando ele (Tony) se refere à palavra monitoramento, diz respeito ao acompanhamento do que sai na imprensa. Acreditamos muito que foi uma interpretação equivocada e estamos estudando entrar com um pedido de revisão e revogação do pedido de prisão”, explicou Villa. Questionado se Tony teria recebido informações de um agente público, uma possível fonte da própria PF, o advogado nega: “Nada disso é verdade. Tudo o que o jornalista fez foi seu trabalho de falar com seus clientes, de orientar, de acompanhar o que saia na mídia”.

Superintendente da PF no Piauí Mariana Paranhos Calderon garante que a prisão se fez necessária (Foto: Reprodução GP1)

LIBERDADE DE IMPRENSA E DE EXPRESSÃO

Durante a entrevista coletiva realizada nesta terça, horas depois da prisão de Tony, vários jornalistas se posicionaram com questionamentos sobre até onde vai o acesso a informações de uma operação policial. Entrou em debate a liberdade de imprensa e a liberdade de expressão, garantidas de forma constitucional ao profissional de jornalismo. A superintendente da PF no Piauí Mariana Paranhos Calderon fez questão de esclarecer, em certo momento da coletiva, que o trabalho da operação diz respeito à forma criminosa quando se tem acesso a informações relacionadas à uma operação em andamento. “Se conseguia acessar com antecedência e conseguia compartilhar com os investigados dados da operação (Delivery). Esse vazamento coloca em risco não apenas o processo judicial, mas coloca em risco a vida a integridade física dos investigados”. Um dos jornalistas disse que teve acesso a informações de uma outra investigação policial. A delegada então questionou se ele compartilhou o que tinha com investigados. Ele respondeu que não. “É disso que eu estou falando. É de ilegalidade. O fato de ter acesso à informação, isso vale para qualquer investigador, seja jornalista ou policial, é uma coisa. Agora o fato do que você faz com essa informação, a ilegalidade que você comete tendo acesso a informações é o que está sendo apurado aqui. E quero deixar bem claro: A Polícia Federal não investiga pessoas, não investiga profissionais. Investiga fatos”, pontuou. A defesa de Tony questiona, baseado nisso, a prisão. Considera “descabida e desproporcional”.

Fonte: Portal Oitomeia.com

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