30/05/2020

Cinco detentos da Cadeia Pública de Altos recebem alta médica e outros 29 continuam internados

Nesta sexta-feira (29), parte dos presos internada devido a infecção ainda não identificada deixou o hospital e voltou para a cadeia. Na quinta, o número de mortes pela doença subiu para seis.

Cadeia Pública de Altos — Foto: Francisco Leal/Ccom

Cinco detentos da Cadeia Pública de Altos (CPA) que estavam internados em hospitais de Teresina tiveram alta médica nesta sexta-feira (29), de acordo com a Secretaria de Justiça do Piauí (Sejus). 29 presos continuam hospitalizados para tratar de uma infecção ainda não identificada que é a possível causa da morte de seis internos da unidade penal.

A Sejus informou que há três dias não encaminha detentos da CPA para a rede pública de saúde e que o quadro de saúde deles tem evoluído. Além dos presos que estão sendo tratados em hospitais da capital, o órgão também tem atendido alguns em uma enfermaria instalada na cadeia.

No local, médicos e enfermeiros atendem detentos com sintomas relacionados à infecção. O secretário de Justiça, Carlos Edilson, disse reconhecer que a situação na CPA é grave e que tem se esforçado para resolver o problema.

"Não estamos medindo esforços para descobrirmos a causa das infecções, e solucionarmos a situação para voltarmos à normalidade no local. Semanalmente, fazemos testes na água", afirmou o secretário.

A suspeita é que a doença tenha sido causada pela água da unidade prisional, por isso o sistema hidráulico da cadeia recebeu uma limpeza. A Defensoria Pública do Piauí (DPE) defende a soltura ou prisão domiciliar de presos enquanto o problema é resolvido.

A Justiça determinou uma vistoria no local para tentar descobrir o que teria causado o adoecimento de tantos detentos. Os primeiros detentos começaram a adoecer no início do mês e a Secretaria de Estado da Saúde (Sesapi) chegou a testá-los para Covid-19, por medida de segurança, mas os resultados foram negativos.

Situação preocupa familiares

Familiares de presos da Cadeia Pública de Altos fazem protesto diante do Tribunal de Justiça, em Teresina (PI) — Foto: Murilo Lucena/ TV Clube

Familiares relatam preocupação com os presos da CPA. Cerca de cinquenta pessoas fizeram um protesto diante do prédio do Tribunal de Justiça do Piauí (TJ-PI), em Teresina, pedindo respostas sobre as mortes e a situação dos presos com infecção.

Os manifestantes exibiram cartazes pedindo pela interdição da cadeia e pela ajuda de juízes e promotores. Os familiares também afirmam que recebem denúncias dos detentos de que alguns presos estariam sendo torturados dentro da penitenciária.

Familiares de presos da Cadeia Pública de Altos fazem protesto diante do Tribunal de Justiça, em Teresina (PI) — Foto: Murilo Lucena/ TV Clube

A Defensoria Pública do Estado (DPE) solicitou um Habeas Corpus Coletivo, pedindo, em favor de todos os presos da unidade, que prisões cautelares e/ou definitivas sejam substituídas por prisão domiciliar, cumulada com monitoramento eletrônico ou outras medidas cautelares.

Mas o desembargador Edvaldo Moura, do TJ-PI, declarou que só vai avaliar o pedido depois que o juiz de direito da 2ª Vara Criminal da Comarca de Teresina, o secretário de Justiça do Estado do Piauí e o diretor da Cadeia Pública de Altos prestarem informações sobre a situação.

O desembargador deu um prazo de 24 horas, a partir da notificação das partes, para que as informações fossem enviadas. Até a tarde dessa quinta-feira (28), a Sejus afirmou que ainda não havia sido oficialmente notificada. A previsão é que o Habeas Corpus Coletivo seja julgado até a segunda-feira (1).

Fonte: G1 PI

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