23/06/2016

O pré-candidato a vereador que quer ser ladrão, a Lei de Gerson e a vitória dos caras de pau

Líder comunitário do Piauí revoltou e fez o Brasil rir explicando os motivos de querer ser candidato: para roubar



Boêmio, o líder comunitário, falastrão e revolucionador da Lei de Gerson: se dar bem e não negar. Foto: O Olho Imagens

O pescador e líder comunitário Antônio Francisco Sousa Borges, mais conhecido por Boêmio, chocou o Brasil nesta terça (21 de junho). Ao falar, na maior cara de pau, os motivos porque quer ser candidato a vereador nas eleições de outubro deste ano disse que quer ser eleito para roubar e se dar bem.


VEJA O VÍDEO EM QUE O LÍDER COMUNITÁRIO EXPLICA PORQUE QUER SER ELEITO PARA ROUBAR DINHEIRO PÚBLICO:




Boêmio seria um entre os milhões de pré-candidatos que se submetem ao crivo popular eleitoral não para ajudar o próximo, mas para se ajudar, ter uma boquinha e exacerbar o mito da Lei de Gerson: a da vantagem. 

Mas Boêmio não é um cara de pau como a maioria dos políticos. Ele é sincero e diz que é verdadeiro. Em vídeo em que foi entrevistado pelo repórter Efrém Ribeiro, assumiu porque quer ser candidato. Quer ganhar para vereador na cidade de Campo Maior (a 82 quilômetros ao Norte de Teresina e um dos maiores municípios do Piauí) porque vai roubar para comprar uma casa para ele e outra casa para a mãe. Vai rapar e não enganar ninguém. Alega que todo político é ladrão e que fica rico e que pobre só “toma macaxeira direto”. 

É assim que Boêmio constrói sua ética política. Talvez inspirado em quem? 

Se Boêmio estava brincando, não dá para saber. O vídeo viralizou e escandalizou uma parte da população brasileira que ainda acredita em mudanças via política. 

É fato que Boêmio mentiu no vídeo dizendo que é filiado ao PTC – Partido Trabalhista Cristão. A agremiação negou que o líder comunitário seja dos seus quadros. Quem quer uma trepeça dessas com um discurso assim? O sistema de filiações do Tribunal Superior Eleitoral também não mostra o nome e os dados do falastrão como filiado ao PTC no município de Campo Maior, nem na 7ª e nem na 96ª Zona Eleitoral. 

A diabrura do líder comunitário está inspirando alguns advogados eleitorais a entrarem com uma representação junto à Justiça para que ele se retrate e conte direitinho essa história de político meter a mão e ser bandido. 

Talvez o falastrão também esteja meio lelé da cuca. Em janeiro de 2015 foi baleado várias vezes, inclusive na cabeça, após se envolver em uma confusão para a presidência da Associação de Moradores do bairro Cariri em Campo Maior. 

Parece que Boêmio é bom de queixo e ruim de voto. Tenta ser um político diferente. Se será eleito, não sabemos. Mas é um forte candidato a ser um dos palhaços da corrida pré-eleitoral deste ano. Isso ele está forte na liderança. 

Que o exemplo de Boêmio sirva para encararmos as eleições não como uma palhaçada ou brincadeira mas como um momento que decidirá muito sobre nossos futuros e que mereça muita, mas muita reflexão.

* Jornalista e professor universitário. Atua em O Olho via Projeto de Pesquisa de Etnografia das Redações tentando entender o modo de fazer jornalismo no Piauí.

Fonte: O Olho/Por: Orlando Berti*

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