Segundo inquérito policial já instaurado na 9ª Delegacia Regional de Polícia Civil do Piauí, sediada em Bom Jesus, eles teriam se revezado na violência sexual contra a menor

Imagem: Web
Faltando uma semana para o fatídico aniversário de um ano do estupro coletivo que mais gerou revolta, debates e reflexões na história do Piauí tudo está se repetindo. E não de uma maneira isolada. Estupros coletivos são cada vez mais constantes no Piauí. Abusar de meninas, principalmente menores de idade, e com o emprego de requintes de crueldade parece que virou moda. O que está acontecendo? Todos são vítimas da sociedade? Ou são monstros criados pela própria sociedade ou pela falta de limites e valores?
No final do ano passado o Brasil ficou chocado com o estupro coletivo de quatro garotas na cidade de Castelo do Piauí (a 199 quilômetros ao Norte de Teresina). Na próxima sexta-feira (27 de maio) o crime completa um ano. De lá para cá os estupros coletivos só aumentam no estado.
Neste final de semana foi a vez de Bom Jesus (652 quilômetros ao Sul de Teresina, a 851 quilômetros de Castelo do Piauí e capital dos Cerrados piauienses) ser abalada por um crime de estupro coletivo no estado. O primeiro em sua história.
A vítima, uma menor de 17 anos. Os acusados, assim como em Castelo do Piauí, um maior de idade e quatro menores. O maior, 18 anos. Os menores, com idades entre 17 e 16 anos. Clique e leia a primeira matéria sobre o assunto!
Segundo inquérito policial já instaurado na 9ª Delegacia Regional de Polícia Civil do Piauí, sediada em Bom Jesus, eles teriam se revezado na violência sexual contra a menor durante uma noite e uma madrugada. No final deixaram a vítima amordaçada. O instrumento para amordaça-la: sua própria calcinha.
Também, segundo a Delegacia, o crime teria ocorrido em uma construção, na rua Coronel Ferreira, em pleno Centro da cidade, proximidades dos Correios. Vítima e acusados já se conheciam e teriam ido beber nesse local, que tem dois pavimentos. Em determinado momento os jovens teriam começado a fazer sexo forçado com a jovem, que recentemente voltou a morar na cidade.
Pelo que já foi apurado pela polícia ao menos três dos cinco acusados teriam participado da violência sexual. Dois teriam ficado vendo e não teriam impedido os atos. Os acusados se revezariam durante os atos. O que chamou atenção da polícia é que a vítima foi encontrada nua e amordaçada com sua própria calcinha, além de, depois dos atos, ter sido deixada no local. A jovem foi encontrada por populares que chamaram a polícia. Ela foi levada ao Hospital Regional Manoel de Sousa Santos. Até o final da manhã deste sábado (21) ela continuava sob cuidados médicos e psicológicos.
Os acusados foram presos horas depois e estão encarcerados na Delegacia Regional de Bom Jesus, também no Centro da cidade.
A vítima tem origem na zona rural da cidade vizinha de Currais e recentemente teria chegado de Brasília. Entre os seis envolvidos ela era a única que não estudava. Os outros estudam em colégios de ensino médio da cidade e são filhos de famílias tidas como trabalhadoras e honestas. Somente o maior de idade teria envolvimento com a polícia. Quando menor foi apreendido acusado de crime de furto.
Os acusados disseram à polícia que não estupraram a menor, que o sexo coletivo teria sido feito de maneira consensual porque todos estariam “alterados” devido ingestão de bebidas alcóolicas. Eles negam envolvimento com drogas. Um dos policiais ouvidos pela reportagem de O Olho disse que os acusados a “ficha não caiu” e pensavam que o ato era “normal”.
PIAUÍ: A NOVA TERRA DOS ESTUPROS COLETIVOS?
Estes foram acusados, há quase um ano, de estupro
coletivo em Castelo do Piauí (Foto: Reprodução)
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Estupros coletivos têm sido uma constante no Piauí. Algumas vítimas, ainda por medo, não denunciam. Em outros casos a repercussão não é feita para preservar vítimas ou então pelo medo de um julgamento social em que geralmente a vítima é condenada. “Ah…por que ela saiu com o cara?”. “Por que ela usava roupas assim e assado”. “Por que ela saiu para beber e deu bobeira para os caras”. Essas são algumas das justificativas apontadas.
Até quando?
No caso de Castelo do Piauí todos foram presos e estão pagando pena. Um deles, menor de idade, foi morto no cárcere por colegas.
Os acusados de Bom Jesus também estão encarcerados. O maior de idade está preso e será encaminhado para a Penitenciária Regional Dom Abel Alonso Nuñez, em Bom Jesus. Os menores, assim como os do caso de Castelo, ficarão no CEM – Centro Educacional Masculino, em Teresina.
Sem políticas públicas, sociais, familiares e educacionais casos assim tendem a ser mais constantes. Será que o Piauí ficará conhecido por Terra dos Estupros Coletivos? Uma reflexão necessária e que precisa ganhar a constância de nossas discussões e ações.
* Jornalista e professor universitário. Atua em O Olho via Projeto de Pesquisa de Etnografia das Redações tentando entender o modo de fazer jornalismo no Piauí
Fonte O Olho