Veículo de Nova Santa Rita constava ainda multas por excesso de velocidade. Em cinco dias de operação, 20 ambulâncias foram retidas por irregularidades.
Motorista diz não ter percebido atraso no DPVAT de ambulância (Foto: Catarina Costa/G1 PI)
A Polícia Rodoviária Federal voltou a apreender na segunda-feira (11) três ambulâncias por irregularidades no Piauí. Dessa vez, um dos veículos da cidade de Nova Santa Rita, Sul do estado, estava com a porta sem a trava de segurança, improvisada com ferrolhos comumente usados em janelas residenciais. Além disso, os agentes descobriram após verificar no sistema do Departamento Estadual de Trânsito (Detran), que o veículo tinha dois anos de seguro DPVAT em atraso e três multas por excesso de velocidade.
As fiscalizações vêm sendo intensificadas desde a quinta-feira (7) da semana passada e em apenas dois dias, 17 veículos ficaram retidos por apresentar algum tipo de irregularidade. No total, já são 20 ambulâncias apreendidas. O Sindicato dos Condutores de Veículos de Emergência fez as denúncias após um acidente que ocorreu em março e acabou matando três pessoas.
De acordo com o inspetor Tony Carlos, o improviso na fechadura da ambulância põe em risco a vida dos passageiros, que em caso de tombamento ou incêndio não teriam como sair do veículo. Ele também apontou como outro agravante a falta de curso especializado para transporte de emergência, que não constava na carteira do motorista.
"Sabemos que a maioria dos condutores das ambulâncias dirige à noite, com jornada de serviço excessiva e não respeita a velocidade da via, provocando assim acidentes. No caso da ambulância caso de Nova Santa Rita, uma das multas refere-se ao excesso de velocidade, 50% acima da permitida, ou seja, o motorista andava a 120 km/h", destacou.
O motorista Antônio Alves alegou não ter percebido a documentação atrasada da ambulância, além da ausência do registro do curso especializado na sua carteira de habilitação.
"Eu tenho o curso especializado para dirigir ambulância, mas renovei recentemente a habilitação e não percebi que esqueceram de registrar isso na carteira. Já comuniquei à Secretaria Municipal e ela ficou de resolver o problema da regularização do veículo com o governo do estado", comentou.
A ambulância retida levava uma paciente em tratamento contra o câncer para receber medicação que estava em falta em Nova Santa Rita. Antes de recolher a veículo, o inspetor autorizou o motorista deixar a passageira na Casa de Apoio e retornar ao posto para autuação.
Outros relatos
Na semana passada, a técnica de enfermagem Darcilene dos Santos e Silva, não conseguiu abrir a porta do veículo quando ocorreu uma explosão no radiador, porque a fechadura estava quebrada. “A gente estava vindo trazer uma paciente para o hospital de Floriano, uma gestante, quando estávamos a uns 80 km do hospital o radiador explodiu. Aí o motorista correu pra abrir a frente e eu corri pra abrir a porta do fundo, mas não consegui”, contou.
Durante a fiscalização, os agentes rodoviários identificaram ainda que a ambulância de Sebastião Barros, por exemplo, estava com o licenciamento de 2014 e 2015 vencido. Uma ambulância da cidade de Germiniano também ficou apreendida por estar com a documentação sem pagamento e o motorista não possuía curso de condução de veículo de emergência.
Operação
Segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), as ambulâncias foram retidas porque estavam com a documentação atrasada, motoristas sem curso para transporte de emergência e acúmulo de multas. Segundo o inspetor Tony Carlos, a maioria dos veículos não transportava pacientes, mas pessoas que vinham para consultas, exames, aproveitava carona ou até mesmo transportava caixão.
"Nosso objetivo não é tirar as ambulâncias de circulação, até porque muitas cidades têm só este veículo para atendimento. O problema é que elas não deveriam fazer este tipo de transporte para a capital, porque não são adequadas para isto, mas sim o Samu ou as ambulâncias dos hospitais estaduais que têm todo o equipamento de segurança", explicou o inspetor.
Fonte: GI PI