
Silas Freire e Samanta Cavalca nesta sexta-feira, 02, no programa Agora / Imagem: Reprodução TV Meio Norte
Gostando ou não de Silas Freire, dê a César o que é de César: o jornalista é carismático, dá fôlego, humor e a dose de polêmica necessária para conduzir um programa de mais de três horas ao vivo na Rede Meio Norte, no horário nobre do jornalismo piauiense que é o intervalo do almoço.
Nesta sexta-feira ele voltou ao comando do programa de maior audiência na Rede Meio Norte, o “Agora”. Silas tentou minimizar o fato, no mínimo constrangedor para os outros apresentadores, Dânio Sousa e Shirley Evangelista, de comandar uma vez por semana o mesmo programa que é oficialmente capitaneado pelos dois (e sendo só uma vez porque o apresentador é também deputado federal e não pode estar em Teresina nos outros dias da semana).
“Estou tirando folga da moçada, dos dois campeões. O dinheiro lá [em Brasília] não é essas 'coca-cola' toda não. O leite dos gordinhos não tá dando”, relativizou Freire.
Quando teve que interagir com a jornalista Samantha Cavalca, que é sua assessora de imprensa em Brasília, ex-produtora do “Agora” e correspondente do jornalístico piauiense na capital federal, Silas não poupou a colega, com uma indelicadeza peculiar mas particularmente inofensiva. Silas observou que Samantha apareceu com os cabelos loiros soltos e esvoaçantes: “Da próxima vez bota um cabelo de jornalista. Não adianta, não aliso ninguém”. E completou, quase que uma auto-ironia: “O jornalista não pode aparecer mais que a notícia”.
É claro que Silas não se furta de usar o programa como uma espécie de palanque eleitoral e eletrônico em que alardeia verbas e feitos conseguidos com sua atuação parlamentar. Ao falar do deputado federal piauiense Marcelo Castro (PMDB) anunciado nesta sexta-feira, 02, como ministro da Saúde, Freire não deixou por menos: “É um nome muito bom. Não estou puxando o saco dele, não pedi nada, só quero que ele coloque curso de Medicina em Floriano. E digo mais: tem um monte de ‘costa larga’ com inveja do Marcelo Castro, se me apertar eu digo os nomes. Tem gente que não consegue ser ministro nem da eucaristia”.
No começo do programa, Silas afirmou: “Ninguém é insubstituível e o Dânio e a Shirley estão fazendo bonito”. Samantha Cavalca retrucou, com uma honestidade ímpar tendo em vista que durante os demais dias da semana precisa interagir justamente com Shirley e Dânio: “Ah, mas você é insubstituível sim, até o momento no ‘Agora’ nunca apareceu ninguém como você”, disse a jornalista direto do link ao-vivo.
O telespectador deve ter compartilhado um sorriso em casa, ciente que desde a eleição de Freire e convocação como suplente no início deste ano, o "Agora" tem sido palco de um desfile de nomes - de Carlos Moraes, que fez sucesso na década de 90 no Piauí, aos nomes mais fortes da casa, como Cinthia Lages - que não se fixam no gosto da população e menos ainda na audiência.
Se a fórmula da Rede Meio Norte para substituir Silas Freire é colocar jornalistas com o perfil oposto ao do apresentador – mais comedidos, menos irônicos e brincalhões, sem as opiniões polêmicas que o público do horário aprecia – a receita não deixa de ser bipolar e vai estar fadada ao fracasso.