Manifestação bloqueou os dois sentidos da rodovia nesta terça-feira (11). Manifestantes cobram melhorias para pelo menos seis comunidades.
Populares bloquearam na manhã desta terça-feira (11) os dois sentidos da BR-316, na altura do bairro Mário Covas, Zona Sul de Teresina durante um protesto. Os manifestantes fizeram uma barricada com pneus, troncos de árvores e atearam fogo. Segundo a Polícia Rodoviária Federal, o engarrafamento no sentido Centro/Sul já chega a quase 6 km e os alguns motoristas tiveram que desviar por rotas alternativas. A rodovia liga Teresina ao Sul do Piauí e a estimativa da PRF é que 40 mil veículos trafeguem diariamente no local.
O fogo chegou a se alastrar pela mata no acostamento, mas mesmo assim alguns motociclistas arriscaram passar pelo local. Os motoristas que não conseguiram entrar em outras vias para desviar da rodovia reclamaram da atitude dos manifestantes.
“A gente acaba sendo pego de surpresa e fica aqui parado, sem poder fazer nada. Não tenho ideia se vou conseguir chegar a tempo ao meu compromisso”, disse Marcus Emanuel, assistente de instituto de pesquisa.
O caminhoneiro Gilvan de Castro relatou que já esta há duas horas parado e disse não concordar com o protesto na rodovia. “Se estão cobrando melhorias para os bairros deveriam ir fazer essa manifestação na porta dos órgãos públicos e não aqui. Isso acaba atrapalhando a nossa rotina. Saí da fábrica para fazer entrega nas empresas e não consegui fazer nada até agora”, reclamou.
Pelo menos 4 mil famílias que moram na região reivindicam melhorias no calçamento, abastecimento de água e energia e escolas. De acordo com o líder comunitário Antonio da Silva, moradores de pelo menos seis comunidades participam do movimento. A comunidade mostrou à reportagem do G1 um documento assinado no dia 9 de setembro do ano passado no qual o prefeito Firmino Filho se comprometeu a fazer a regularização fundiária do Parque Vitória, mas até hoje nada foi feito.
“Nós estamos cansados de esperar. A falta de serviços não atinge somente o Parque Vitória, mas várias comunidades aqui nessa região. Queremos providência. O prefeito se comprometeu a regularizar a área e com isso trazer os serviços”, relatou o líder comunitário.
O inspetor da PRF Jean Carlos tentou negociar com os manifestantes para que liberassem pelo menos uma das pistas, mas eles não aceitaram e disseram que o protesto só seria encerrado quando representantes da Eletrobras, Aguas e Esgotos do Piauí S/A (Agespisa) e da Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação fossem até o local. A Polícia Militar também esteve na rodovia para ajudar nas negociações.
Esta já é a segunda manifestação feita pelos moradores somente este ano, mas segundo o líder comunitário, pelo menos cinco mobilizações foram realizadas com o objetivo de conseguir melhorias para a região.
A reportagem do G1 entrou em contato com os órgãos citados pelos moradores. Por meio da sua assessoria de imprensa a Eletrobras falou que por se tratar de terreno de invasão, considerado área de litígio, a empresa não pode intervir com a construção de rede de energia. Somente após a regularização poderá fazer obras na região.
A Agespisa informou que o problema de abastecimento no Residencial Mário Covas é decorrente das ligações clandestinas feitas pelos moradores do Parque Vitória, que está localizado ao lado. A empresa disse ainda que elaborou projeto para implantar sistema de abastecimento na comunidade. O serviço, segundo o órgão, está orçado em R$ 3 milhões, mas a empresa aguarda a regularização fundiária da área do Parque Vitória para realizar os investimentos.
Por meio de nota a prefeitura disse que reitera o compromisso firmado com as famílias em desapropriar parte da área ocupada. No entanto, para cumprir sua parte no acordo, o executivo municipal aguarda o cumprimento do acordo por parte da associação que se responsabilizou em apresentar um cadastro das famílias que ocuparam o local e também em verificar qual seria a melhor parte do terreno. A prefeitura ressaltou que até o momento a associação não repassou os dados para que pudesse iniciar o processo de negociação de aquisição do terreno, já que ele estaria em uma área particular.
Do G1 PI