21/11/2014

Bando suspeito de roubar processos agia também fora do PI, diz delegado

Advogado e duas pessoas foram presas suspeitas de furtar processo do TJ-PI.
Segundo a polícia, o bando agia no Piauí e em outros estados do Brasil.

Delegado Carlos César conta como o grupo agia. (Foto: Gilcilene Araújo/G1)Delegado Carlos César conta como o grupo agia. (Foto: Gilcilene Araújo/G1)
O delegado Carlos Cesar, do Grupo de Repressão ao Crime Organizado (Greco), declarou nesta quinta-feira (20) que as três pessoas presas após o roubo de processos da Corregedoria do Tribunal de Justiça do Piauí fazem parte de um grupo criminoso suspeito de fraudar sentenças judiciais e agir em outros estados do país. O trio foi preso em flagrante nessa quarta-feira (19) depois de retirar um processo que apura denúncias contra o juiz titular da 2ª Vara Cível de Teresina.

“Como um dos presos é uma pessoa que mora na Bahia e vinha com frequência à Teresina existe a possibilidade deste grupo ter ramificações fora do Piauí. Todo crime deixa rastro. Os suspeitos não se envolveram apenas para roubar um processo. A atuação deles é maior que isso e vamos dar continuidade ao trabalho de investigação”, afirmou Carlos César.
Entre os presos por participação no esquema está um advogado. Um ex-servidor do TJ-PI e ainda um administrador de empresas também foram presos.

Sobre a suspeita de participação no esquema de um juiz da 2ª Vara Civil, o delegado ressaltou que não cabe à polícia investigar e penalizar magistrados envolvidos em esquema de corrupção.

“Até o momento não há indícios de que algum juiz esteja envolvido neste esquema. Entretanto, se durante as investigações obtivermos alguma prova, vamos encaminhá-la para o Tribunal de Justiça para que o órgão tome as providências necessárias já que não temos autonomia para investigar magistrados”, comentou.

O presidente do Greco, delegado Menadro Pedro, revelou o depoimento de um dos presos. Segundo ele, apenas o servidor público contou com o grupo agia. “O funcionário, que já trabalhou na corregedoria, recebeu R$ 2 mil para tirar uma cópia do processo e entregou o documento para uma pessoa. O mandante solicitou o processo original e disse que pagaria mais R$ 2 mil para ele fazer isso e caso ele não tivesse condição de retirar pagaria R$ 1 mil para outra pessoa”.

Conforme a polícia, o trio será indiciado por corrupção ativa e associação criminosa. O advogado se encontra detido no quartel da Polícia Militar, enquanto o servidor público e o administrador estão recolhidos no 25º Distrito Policial.


Gilcilene Araújo Do G1 PI

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