O cantor Eduardo Araújo, um dos primeiros a chegar ao
velório, demonstrou bastante emoção.
"Pensava que o Jair fosse eterno. A
gente nunca espera. Ele nunca tinha um momento de tristeza,
estava
sempre alegre e jamais vai sair de dentro do meu coração. A Sylvinha vai
receber ele no céu"
disse, lembrando sua parceira musical e
esposa Sylvinha Araújo, morta em 2008.
O publicitário Washington Olivetto passou rapidamente
pelo velório para prestar suas condolências
à família, e aproveitou para
relembrar a época em que conheceu o cantor, quando ele fazia parte do
lendário programa Fino da Bossa. Olivetto, que é muito amigo dos filhos
de Jair, afirmou que
guardará a alegria do artista como principal
lembrança. “O Jair era a síntese da alegria do brasileiro”.
Com os olhos cheios de lágrimas, a apresentadora
Palmirinha Onofre destacou a humildade de Jair,
ao relembrar que, quando
ele esteve em seu programa, cumprimentou a todos da equipe, inclusive
aos faxineiros. “A gente não devia chorar, porque ele era muito alegre.
Ele não tinha distinção de
classes, era uma pessoa maravilhosa que vai
ficar no meu coração”.
Ao
lado da família de Jair desde que recebeu a notícia da morte, Simoninha
frisou a forte presença
do cantor em toda a sua vida, do batizado de
seu filho até a morte de seu pai, Simonal, que morreu
em 2000. “Me sinto
privilegiado por ter usufruído tantos anos da sua alegria. Não tenho
palavras
para expressar o carinho, a alegria, a gratidão”, emocionou-se.
"Ele não tinha máscaras"
Roberta
Miranda não conseguiu conter as lágrimas ao contar a importância de Jair
em sua carreira
como cantora. Segundo a artista, na época em que ainda
era desconhecida, ela sonhava em ouvir o
seu nome em alguma rádio. Jair,
então, realizou o seu desejo e a impulsionou no mercado fonográfico.
“Eu comecei a chorar (quando ouviu a rádio).
Foi a partir daí que as gravadoras começaram a me
dar oportunidade”,
relembrou Roberta, que lançou seu primeiro álbum de estúdio em 1986.
Depois de pedir desculpas por estar chorando por Jair,
já que ele era a alegria personificada, a
cantora destacou que ele
sempre foi uma pessoa muito autêntica e que não mudava sua personalidade
de acordo com o grupo de pessoas com quem convivia. “Jair não era
bastidores, ele não tinha
máscaras. É a essência dele, por isso vai
fazer tanta falta”.
Biografia
Nascido em Igarapava, no
interior de São Paulo, começou sua carreira em São Carlos, para onde
se
mudou com sua família em 1954. Lá, foi crooner e participou como calouro
na Rádio São Carlos.
No início da década de 60 o cantor foi tentar a carreira
na capital de São Paulo, onde participou
de diversos programas de
calouro na televisão e chamou atenção ao ficar em primeiro lugar no
Programa de Cláudio de Luna. Dois anos depois entrou em estúdio para
gravar duas músicas:
Brasil Sensacional e Marechal da Vitória,
especialmente para a Copa do Mundo.
Seu primeiro álbum intitulado O Samba como Ele É, veio
em 1963, mas foi com o segundo trabalho
que o sucesso de Jair Rodrigues
começou. Em 1964 lançou Vou de Samba Com Você, que trazia
a música Deixa
Isso pra Lá. A música fez tanto sucesso que Jair passou a ser convidado
constantemente para programas de TV, entre eles o Almoço com as
Estrelas, da extinta
TV Tupi, apresentado por Airton e Lilita Rodrigues.
Em 1965, durante participação no programa O Fino da
Bossa, na TV Record, cantou de improviso
com Elis Regina, a apresentação
deu tão certo que eles passaram a se apresentar frequentemente no
programa.
Corpo de Jair Rodrigues é velado na Assembleia Legislativa
Fonte: Terra