08/05/2014

Emoção marca velório de Jair Rodrigues na Assembleia em SP

Foto: Ricardo Matsukawa / Terra


O corpo de Jair Rodrigues chegou no início da noite desta quinta-feira (8) para o velório que acontece 
na Assembleia Legislativa de São Paulo. O cantor de 75 anos morreu em casa nesta manhã, após 
sofrer um infarto. O corpo de Jair será sepultado às 11h desta sexta-feira (9), no Cemitério 
Gethsemani no bairro do Morumbi em São Paulo.


A chegada do caixão que trazia o corpo de Jair Rodrigues foi marcada por muita emoção. Do 
carro fúnebre até o salão onde será velado, o esquife foi carregado por seu filho Jair Oliveira, o
cantor Simoninha, filho de Wilson Simonal, contemporâneo e amigo de Jair, e o guitarrista Paulinho 
Dafne, que tocou ao lado de Jair Rodrigues em diversas ocasiões.

O cantor Eduardo Araújo, um dos primeiros a chegar ao velório, demonstrou bastante emoção.
"Pensava que o Jair fosse eterno. A gente nunca espera. Ele nunca tinha um momento de tristeza, 
estava sempre alegre e jamais vai sair de dentro do meu coração. A Sylvinha vai receber ele no céu" 
disse, lembrando sua parceira musical e esposa Sylvinha Araújo, morta em 2008.

O publicitário Washington Olivetto passou rapidamente pelo velório para prestar suas condolências 
à família, e aproveitou para relembrar a época em que conheceu o cantor, quando ele fazia parte do 
lendário programa Fino da Bossa. Olivetto, que é muito amigo dos filhos de Jair, afirmou que 
 guardará a alegria do artista como principal lembrança. “O Jair era a síntese da alegria do brasileiro”.

Com os olhos cheios de lágrimas, a apresentadora Palmirinha Onofre destacou a humildade de Jair, 
ao relembrar que, quando ele esteve em seu programa, cumprimentou a todos da equipe, inclusive 
aos faxineiros. “A gente não devia chorar, porque ele era muito alegre. Ele não tinha distinção de 
classes, era uma pessoa maravilhosa que vai ficar no meu coração”.
Ao lado da família de Jair desde que recebeu a notícia da morte, Simoninha frisou a forte presença 
do cantor em toda a sua vida, do batizado de seu filho até a morte de seu pai, Simonal, que morreu 
em 2000. “Me sinto privilegiado por ter usufruído tantos anos da sua alegria. Não tenho palavras 
para expressar o carinho, a alegria, a gratidão”, emocionou-se.

"Ele não tinha máscaras"

Roberta Miranda não conseguiu conter as lágrimas ao contar a importância de Jair em sua carreira
como cantora. Segundo a artista, na época em que ainda era desconhecida, ela sonhava em ouvir o
seu nome em alguma rádio. Jair, então, realizou o seu desejo e a impulsionou no mercado fonográfico.

“Eu comecei a chorar (quando ouviu a rádio). Foi a partir daí que as gravadoras começaram a me 
dar oportunidade”, relembrou Roberta, que lançou seu primeiro álbum de estúdio em 1986.
Depois de pedir desculpas por estar chorando por Jair, já que ele era a alegria personificada, a 
cantora destacou que ele sempre foi uma pessoa muito autêntica e que não mudava sua personalidade 
de acordo com o grupo de pessoas com quem convivia. “Jair não era bastidores, ele não tinha 
máscaras. É a essência dele, por isso vai fazer tanta falta”.

Biografia

Nascido em Igarapava, no interior de São Paulo, começou sua carreira em São Carlos, para onde
se mudou com sua família em 1954. Lá, foi crooner e participou como calouro na Rádio São Carlos.

No início da década de 60 o cantor foi tentar a carreira na capital de São Paulo, onde participou 
de diversos programas de calouro na televisão e chamou atenção ao ficar em primeiro lugar no 
Programa de Cláudio de Luna. Dois anos depois entrou em estúdio para gravar duas músicas: 
Brasil Sensacional e Marechal da Vitória, especialmente para a Copa do Mundo.

Seu primeiro álbum intitulado O Samba como Ele É, veio em 1963, mas foi com o segundo trabalho 
que o sucesso de Jair Rodrigues começou. Em 1964 lançou Vou de Samba Com Você, que trazia 
a música Deixa Isso pra Lá. A música fez tanto sucesso que Jair passou a ser convidado 
constantemente para programas de TV, entre eles o Almoço com as Estrelas, da extinta 
TV Tupi, apresentado por Airton e Lilita Rodrigues.

Em 1965, durante participação no programa O Fino da Bossa, na TV Record, cantou de improviso 
com Elis Regina, a apresentação deu tão certo que eles passaram a se apresentar frequentemente no programa.

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