Ribamar foi detido em 2013, suspeito de tentar assaltar um posto
de combustível. À direita, o goleiro aparece durante treino do
Parnahyba, clube que tenta recomeçar após uso de drogas (Foto: Blog do
Pessoa e Elmadã Gonçalves)
28 de Junho de 2013. O goleiro do
Parnahyba, José de Ribamar Ferreira de Carvalho Júnior, foi detido
pela
Polícia
Militar suspeito de tentar assaltar um ponto de combustível na cidade de
Parnaíba, litoral do
Piauí. Na companhia do jogador, estava Breno de
Souza da
Silva, de 18 anos. Um revólver calibre 38
com seis munições intactas e
uma
moto, segundo a PM usada em outros assaltos, foram apreendidos.
Chamado
de ladrão, Ribamar foi algemado e conduzido à Central de Flagrantes.
Uma
noite
para esquecer.
'Prefiro superar o assunto jogando bola',
revela Ribamar após ano conturbado (Foto: Marco Freitas)
27 de abril de 2014. Dez meses
depois de ter o nome nas manchetes policiais e ver portas fechadas,
Ribamar ganhou uma nova
chance no clube e na vida. O atleta voltou ao gol azulino um ano após ter
vestido pela última vez a camisa da equipe e sumido logo em seguida dos treinos.
A partida de domingo
valia pela sétima rodada do returno do Campeonato
Piauiense. Com Ribamar, o placar de 4 a 0 classificou
o Parnahyba para as semifinais do
torneio. Mas para o goleiro, o jogo foi muito além do resultado. Serviu
para
reconquistar a autoestima perdida e ter a certeza que pode (e deve sempre) confiar em
si mesmo.
Um dia para ficar na memória.
As duas datas reproduzem momentos
da carreira de altos e baixos de Ribamar, goleiro do Parnahyba
há seis temporadas
(2006, 2007, 2008, 2012 e 2014). Em duas delas, o jogador foi campeão estadual
com o clube. Em 2013, participou de cinco jogos e largou o time na campanha do
tricampeonato.
O abandono aconteceu devido ao vício das drogas. Ele sumiu e não voltou aos treinos.
Aos 26 anos de
idade, o atleta – pai de uma filha de cinco anos de idade – demostra certa
resistência quando o assunto é a noite do dia 28 de junho de 2013 e a dependência química.
Para ele, houve um engano e
uma conspiração de eventos
que o fizeram pegar carona na motocicleta abordada
pela polícia.
Em sua memória, é melhor – segundo conta – pensar no futuro. E o
dia depois do amanhã para
Ribamar passa por duas competições: a conquista de uma vaga na Copa do Nordeste, que
só virá
com o título do returno do estadual, e uma boa campanha na Copa do Brasil,
que começa nesta
quarta-feira contra o Ceará, no Estádio Verdinho, em Parnaíba.
- Aconteceu (a prisão)... Foi um tremendo
engano, que bom foi esclarecido e bola para frente.
Provei e comprovei que não
tinha nada a ver com aquela situação. Andava com um rapaz e ele
estava armado. Não sabia disso, simplesmente. Peguei uma carona com ele e aconteceu a
abordagem policial. Não tinha nada a ver... O rapaz confessou que a arma era
dele. Não
estive envolvido em assalto. É um assunto que prefiro superar jogando bola –
No futebol, com a ajuda de alguns amigos
do clube, Ribamar soube o porquê deveria continuar
fazendo aquilo que
mais sabe:
jogar bola. Nos treinos, o goleiro – incorporado ao time no início
de 2014– demonstra
comportamento diferente ao ano passado, quando desaparecia após receber
o salário e sumia para ir atrás de drogas. Hoje, é o primeiro a chegar e
um dos últimos a sair no
Centro de Treinamento Petrônio Portela, local
de concentração do time. Não falta aos
treinamentos.
Prefere não se envolver em confusões. Traços de um Ribamar
transformado ao superar
as drogas,
assunto tratado de forma muito delicada pelo atleta.
- Trabalho firme e forte, apesar
de ser o goleiro reserva. Espero que Deus possa nos abençoar para
sempre
vencermos. Estou tranquilo e sou uma pessoa caseira, que gosta de ficar com a
família. Tive
na família e com os amigos, que nessas horas nós vemos realmente
quem está do nosso lado e pode
nos ajudar. No Parnahyba tive ainda mais força,
confiança. Nosso presidente hoje (Batista Filho)
foi uma das pessoas que abriu
as portas do clube para o Ribamar voltar – revelou o goleiro.
(Foto: Elmadã Gonçalves / Torcida Azulina)
Ribamar faz aquecimento antes da primeira partida de 2014. Goleiro quer vaga na Copa do
Batista Filho, presidente do
Parnahyba, foi uma das poucas pessoas que acreditou no goleiro. Quando
todos
disseram não para o atleta, o dirigente preferiu o caminho inverso. O sim para
aceitar Ribamar no
elenco azulino acabou sendo o primeiro passo para
resgatá-lo, uma espécie de segure na minha mão.
Hoje, ao ver a nova fase de Ribamar, o sentimento é de dever
cumprido.
- O Parnahyba tem uma parcela de
contribuição por tudo isso e ficamos felizes por ajudar não apenas
um
profissional, mas também um ser humano. Sentimos que ele (Ribamar) sempre
precisou de ajuda,
queria apenas uma chance. Embora muitos fossem contra a
volta dele, sempre disse que ele deveria ter
uma oportunidade. E sempre terá. O
que o clube pode ou poderá fazer por ele, será feito. Nesse
processo, os
jogadores também contribuíram. Adotaram Ribamar como irmão e o abraçaram nesta
recuperação – relatou Batista Filho.
Ribamar reúne qualidades fundamentais
para a posição: altura, posicionamento e sorte. Foi ele o
goleiro da polêmica semifinal
do Campeonato Piauiense de 2012. À época, contra o 4 de Julho, o
árbitro da partida anulou os três gols, deixando a partida em 0 a 0. O time de Ribamar acabou
indo
à final e ficoucom a taça, destino que o jogador pretende novamente ser o protagonista. Agora, em 2014.
- Espero um título, que é sempre
importante, e também buscar uma vaga na Copa do Nordeste e ajudar
meu time na Copa do Brasil. Em 2013, aconteceram
algumas coisas que prefiro não recordar, mas isso
ficou para trás de certa
forma com as más companhias. Isso serviu para levantar a cabeça
e não cometer
algo errado novamente. No futebol foi onde encontrei forças para não
desistir. E não vou desistir.
Goleiro agradece confiança do clube e espera retribuir fechando o gol (Foto: Emanuele Madeira/GloboEsporte.com)
Fonte: Globo Esporte PI
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