28/12/2017

Soldado preso pela morte de criança em abordagem foi reprovado em exame psicológico

Família seguida nesse carro de passeio

Foi considerado insuficiente, por exemplo, nos quesitos controle emocional, ansiedade, impulsividade

O soldado Aldo Luis Barbosa Dornel, apontado como autor dos disparos que durante uma abordagem na zona Leste de Teresina matou a menina E. C., de 9 anos, foi reprovado no exame psicológico durante o concurso para ingresso na Polícia Militar do Piauí. Sua convocação para o curso de formação, em setembro de 2010, ocorreu ainda sub judice. O soldado ingressou na PM em 2011.

Documentos obtidos pelo 180graus mostram que, em sua avaliação psicológica na 4ª etapa do concurso, o então candidato Aldo Dornel foi considerado insuficiente nos quesitos “controle emocional, ansiedade, impulsividade, flexibilidade e disciplina”.

Junto com outros candidatos também reprovados, entrou na Justiça sustentando que foram avaliados a partir de um perfil profissiográfico, não previsto em Lei, e considerando critérios subjetivos, pedindo assim a nulidade do exame aplicado e a realização de um novo. Em razão de liminar concedida, o então candidato foi convocado para o curso de formação, conseguindo entrar na PM.

Deste processo, a última movimentação foi registrada há cinco meses.
O soldado Dornel, que está preso, teria efetuado pelo menos cinco disparos contra o veículo onde estava a menina E. C., os pais dela - também feridos à bala - e mais duas crianças. A informação sobre os disparos foi dada, segundo o Coronel Vagner Torres, em depoimento prestado pelo Cabo Francisco Alves, que fazia ronda junto com o soldado na madrugada de segunda para terça-feira (26/12).

De acordo com este depoimento, assim que a família parou o veículo em frente a uma concessionária da Avenida João XXIII, o soldado Dornel desceu da viatura, efetuou cinco disparos, e seu companheiro deu mais dois tiros para cima. Esta versão foi confirmada por testemunhas e pela mãe da criança, a dona de casa Daiane Caetano, que foi atingida no braço. Disparo este que por pouco não acertou o bebê de 8 meses que estava em seu colo.

"Abordagem mal feita"
Ontem, em entrevista à TV, o comandante do Policiamento Metropolitano da Região 1 da capital, Coronel Vagner Torres, reconheceu a ação que terminou na morte da criança como uma "abordagem mal feita". "Poderia ter pedido reforço, ter aguardado um local mais adequado para fazer essa abordagem e com certeza ter evitado essa tragédia", disse o militar.

Os dois policiais envolvidos estão presos e a responsabilidade pelo ocorrido será agora investigada em um inquérito militar, cuja conclusão deve ocorrer no prazo de 20 dias. A morte da menina também está sendo investigada pela Delegacia de Homicídios de Teresina, em procedimento presidido pelo delegado Higgo Martins.

A Polícia Civil já solicitou exames de balística, o laudo do exame cadavérico realizado no corpo da criança, exames de corpo de delito do pai e da mãe da menina, e também imagens de câmeras de segurança de estabelecimentos próximos ao local da ocorrência.

Pai da menina continua internado
Evandro Costa, que é cantor sertanejo, continua internado no Hospital de Urgência de Teresina, e apesar de estável, seu quadro de saúde inspira cuidados. Diferente do inicialmente noticiado pelo 180, ele sofreu um disparo na cabeça e está com uma bala alojada no crânio. Evandro sofreu traumatismo craniano e está em observação.

Mãe diz que PM recolheu cápsulas
A mãe da menina disse à TV que saiu de casa com a família rumo à região do Grande Dirceu, já que a filha estava com fome. Ao tentar fazer uma rotatória, Evandro Costa, seu esposo - que também foi baleado -, acabou subindo no meio-fio, momento em que a viatura começou a segui-los. 

Ao reparar que estavam sem o bebê-conforto, Daiane logo disse apreensiva ao marido que os dois poderiam ser multados. Seguiram em fuga, mas assim que viu a sirene da viatura ligada a mulher pediu ao marido que parasse. "Assim que parou a polícia ficou um pouquinho distante e começou a atirar", contou. A dona de casa disse ainda que "todo mundo que estava ao redor viu" quando um dos policiais começou a recolher as cápsulas provenientes dos disparos. Relatou inclusive que os militares pediram a chave do carro e levaram para fazer a perícia.

Fonte: 180

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