07/08/2017

Suspeitos de matar cabo do BOPE serão investigados pela PF por fraude em aposentadorias

Segundo a polícia, parceria "profissional" entre acusados foi uma das motivações para a morte do policial. 

 
Acusados da morte de Claudemir, durante audiência (Foto: Catarina Costa/G1 PI) 

O juiz Antônio Nollêto, da 1ª Vara do Tribunal Popular do Júri, determinou nesta segunda-feira (7) envio à Polícia Federal de documentos encontrados com Ocionira Barbosa de Sousa e Leonardo Ferreira de Lima, que indicariam fraude ao INSS. Os dois são acusados de serem coautores da execução do cabo do BOPE, Claudemir de Sousa, em 6 de dezembro de 2016. 

O delegado de polícia civil Gustavo Jung, do Grupo de Repressão ao Crime Organizado (Greco), foi quem fez o pedido de envio do caso à PF. Uma das motivações para o assassinato do policial militar, segundo o delegado, foi exatamente a parceria entre Leonardo e Ocionira nas fraudes. 

Uma irmã de Claudemir disse ao G1 que além do policial e sua família, toda a sociedade é vítima dos acusados. 

"Esperamos que o envio também desses documentos para a PF seja um reforço para que a Justiça seja feita. Meu irmão foi uma vítima de tudo isso. Minha família é vítima. E a sociedade também, porque essa fraude atinge todos aqueles que precisam do INSS para sobreviver", disse. 

Ocionira, segundo a polícia, manteve um relacionamento com Claudemir e Leonardo, mas havia se afastado do policial, quando este trabalhou durante alguns meses meses em Brasília. Ele retornou a Teresina e pediu a mulher em casamento, "ameaçando" o esquema dos dois. 

"Nós fizemos o pedido de investigação pela Polícia Federal porque o que encontramos com os dois é evidente sobre as fraudes. Há carimbos e selos cartorários que eles nem poderiam ter, porque não trabalham com isso. O foco dos dois é exatamente essa parceria profissional extra-oficial. Apreendemos caixas e caixas de documentos que evidenciam as fraudes", declarou o delegado Gustavo Jung. 
 

Delegado Gustavo Jung pediu que suspeitas de fraude fossem investigados pela PF (Foto: Ellyo Teixeira/G1) 

O delegado explicou como a polícia civil acredita que o esquema funcionava: Ocionia teria proximidade com políticos e sindicatos de trabalhadores no interior do Piauí, facilitando a aproximação com pessoas que pretendiam se aposentar. Eles ajudariam, segundo Jung, a regularizar a situação de pessoas que ainda não poderia receber o benefício. 

"Não sabemos exatamente que tipo de coisas eles faziam, isso será feito pela PF, mas eles ajudavam pessoas que não estavam em condições de se aposentar, mas queriam isso. Havia falsificações de documentos para dar entrada no pedido. Os selos de cartórios e carimbos de supostos tabeliães deixam claro que havia a intenção de falsificar documentos", relatou o delegado. 

A irmã de Claudemir declarou que espera Justiça e que além da perda do militar, a família sente com todas as etapas do processo que julga os acusados. 

"Nesse domingo fez oito meses dessa tragédia, que destruiu a minha família. As nossas vidas. Vivemos com a dor da saudade, de não ter o Claudemir aqui. Junto com essa dor vivemos a angústia e aflição de todo esse processo. Confiamos em Deus e acreditamos que a justiça dos homens será feita e todos continuarão presos e pagando pelos crimes que cometeram", declarou. 

Homicídio
A investigação sobre a execução do Cabo Claudemir foi concluída e oito pessoas foram indiciadas e denunciadas pelo Ministério Público. Foram denunciados Leonardo Ferreira Lima, Maria Ocionira Barbosa de Sousa, José Roberto Leal da Silva, conhecido como Beto Jamaica, Weslley Marlon Silva, Francisco Luan de Sena, Igor Andrade de Sousa, Thaís Monait Neris de Oliveira e Francisco Luan de Sena. 

Na última audiência sobre o caso, o Ministério Público solicitou a quebra de sigilo telefônico de acusados, para a reunião de mais provas. Ao fim das audiências, o juiz decidirá se os acusados irão a júri popular. 

Claudemir foi morto a tiros no dia seis de dezembro de 2016, quando deixava a academia onde treinava, no bairro Saci, zona Sul de Teresina.

Fonte: G1 PI 

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