20/08/2017

Guarda-parque sobrevivente de emboscada descreve "chuva de bala" e momentos de terror


Após a morte do guarda ambiental Edilson Aparecido da Costa Silva, o Cidadeverde.com entrevistou com exclusividade uma das vítimas da emboscada armada por caçadores no Parque Nacional da Serra da Capivara. O guarda, que prefere ser identificado apenas como João, era companheiro de trabalho de Edilson e foi baleado na perna durante a ação dos criminosos. Temendo por sua segurança, ele prefere manter seu sobrenome em sigilo. Ele afirma que os criminosos estavam a sua procura e descreve os momentos de terror vividos pelos quatro guardas na mira dos bandidos.

"Foi uma verdadeira chuva de bala. Tanto que fui baleado na perna e outro colega também foi baleado no calcanhar. Eles me identificaram pelo nome. Essa emboscada era para mim e quem acabou morrendo foi o meu amigo Edilson", relatou João.

João conta que os quatro colegas estavam em uma das bases de apoio para os guardas na região da cidade de João Costa, quando perceberam a presença de pessoas no parque. "Fomos averiguar ao longo da trilha e durante uma caminhada de 2km conseguimos encontrar oito armadilhas. De repente conseguimos avistar um deles e durante a abordagem ele acabou reagindo contra nós. Ele estava com uma espingarda e um revólver. Nesse momento apareceu outro armado e já investindo contra a gente. Rapidamente, conseguimos tomar a espingarda e o revólver desse rapaz porquê estávamos em quatro. No momento que estávamos algemando o primeiro, apareceram outros dois mascarados e com duas espingardas. Foi aí que a negociação foi por água abaixo. 'Nós viemos para matar você' diziam eles. O caçador que estava rendido sem a arma conseguiu pegar ela de volta. Foi quando saímos correndo e um tiro acertou o Edilson nas costas", relembra o guarda.

Segurança desarmada
Os guardas do parque não possuem armamento para realizar as rondas. João conta que os guardas haviam apreendido o revólver de um dos caçadores e chegaram a atirar contra eles como advertência, no entanto,os caçadores continuaram perseguindo os vigias que precisaram fugir do local para sobreviver. "Corremos por dentro do mato para pedir socorro, foi aí que eu fui atingido na perna esquerda, e o nosso companheiro no calcanhar. Mesmo feridos tivemos que caminhar 2 km até conseguir pedir socorro. Como a equipe do parque é bem organizada, eles conseguiram dar apoio e o Samu veio até a base. Edilson foi levado ainda com vida para o hospital, mas acabou falecendo. Os caçadores já tinham fugido com tudo, mas ainda conseguimos apreender uma espingarda, um facão, um revólver de calibre 38 e seis armadilhas", completa.

Segundo o guarda, a ação dos caçadores é comum na região e eles buscam qualquer tipo de animal como tatus, porcos do mato, entre outros. 

Guarda-parque morto com tiro durante emboscada

Guarda morto era ex-caçador
A história que mais comove João era de que seu amigo Edilson já esteve do outro lado pois já foi caçador. Edilson agora prestava seus serviços e com sua experiência ajudava a preservar o parque ambiental. "Por ser um ex-caçador ele era o melhor guarda-parque que já existiu. Tanto que acabou dando a vida pelo parque", lamenta o colega emocionado.

João teve que passar por cirurgia para retirar fragmentos da bala que ficaram alojados em sua perna. O outro colega baleado também passou por procedimentos cirúrgicos. Ambos estão em processo de recuperação.

Edilson, que morreu baleado, deixa cinco filhos, entre eles, gêmeos de cinco anos de idade. Sua esposa estava viajando e foi comunicada por telefone do falecimento do marido.

Rayldo Pereira
rayldopereira@cidadeverde.com

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