23/05/2017

ARTIGO: Qual o sentido da vida? Nós somos as escolhas que fazemos! (*)


Esses dias andei pensando sobre o real sentido da vida. A corrupção desenfreada, a luta pelo poder, a violência, o avanço das drogas, o desequilíbrio ambiental, as injustiças..., tantos tortuosos caminhos a humanidade enveredou e a sensação que fica é a de que parece não ter mais jeito, estamos perdidos!

O que faz sentido na sua(minha) vida? Qual o seu(meu) sonho? Qual a sua(minha) obra? Como nos indaga Mário Sérgio Cortella em seu célebre livro “Qual a tua obra?”. A par destes questionamentos e invadido por uma angústia muito grande nos detemos a pensar sobre o que estamos fazendo com nossas vidas e mais ainda, qual o verdadeiro significado de tudo isso. Uma sensação de vazio que traz consigo uma crise no conjunto da vida social, do qual o trabalho (ao privilegiado que o tem) é apenas um apêndice e que envolve a relação entre as gerações e a própria família. Estamos em um momento de transição, de turbulência muito forte em relação aos valores. Há uma necessidade urgente de a vida ser muito mais a realização de uma obra do que um fardo que se carrega no dia-a-dia. Qual a tua(minha) obra?

Muitos dos descaminhos que a maioria trilha por livre escolha ou por falta de opção, os percorrem notadamente movidos pelo egoísmo, sob todos os aspectos. Exemplos ao longo da história da humanidade mostram que os indivíduos optaram (in)conscientes ou não pelo modelo de organização social pautado no individualismo e da acumulação de riquezas. Destruíram os costumes locais e os comportamentos tradicionais, tudo em nome do dinheiro. A situação foi agravada com a descoberta de que a publicidade é uma máquina de uniformização capaz de produzir uma “felicidade conformista”, materialista e mercantil. Os jornais, rádio, cinema, televisão e agora a internet adquiriram um imenso poder de uniformização dos gostos e das atitudes. A capacidade midiática de criar, em grande escala, fenômenos comportamentais e de emoções similares expressa-se em best-sellers, em hits, na idolatria de stars, na adesão às modas, no sucesso do mês, etc. Mesmo os gestos mais cotidianos tendem a homogeneizar-se. É a “coisificação” das pessoas. Tornamo-nos mercadoria também.

Onde falhamos? Afinal o que dá sentido à vida? Perdemos a essência humana? Vale refletir sobre a verdade que cada ser humano é um universo em miniatura, cada um tem aspirações diferentes. E como lidamos com isso? Falta-nos o respeito pelo nosso semelhante e pelas outras formas de vida? Almir Sater nos lembra:“Cada um de nós compõe a sua história e carrega em si o dom de ser capaz de ser feliz”.

O eu de cada pessoa tornou-se o seu próprio fardo; precisamos entender que conhecer-se a si mesmo tornou-se antes uma finalidade do que um meio através do qual se conhece o mundo. E precisamente porque estamos tão presos em nós mesmos, é extremamente difícil chegar à uma conclusão de quem somos nós, dar qualquer explicação clara para nós mesmos ou para os outros daquilo que são as nossas personalidades. Mas é preciso ter a capacidade de mudar, a partir de si mesmo!

Éneas Carneiro, médico cardiologista, físico, matemático, professor, escritor e político brasileiro (1938-2007) falava que “na medida em que cada um de nós apreender que a matéria de que cada um de nós é feito é idêntica a matéria de que todos os outros também são feitos; na medida em que cada um de nós tiver a consciência que não há nada de intrinsecamente diferente que nos separe a nós todos seres humanos; quando tivermos a consciência de que a palavra ‘semelhante’ significa semelhante mesmo, nós todos nos respeitaremos e fundaremos um mundo melhor”.

Estamos sem foco, sem rumo! Graças ao modelo de organização social adotado que é excludente e explorador. Num polo, o ambiente natural e no outro, o semelhante desafortunado; ambos marcados por uma exploração irracional que produz os elevados atuais índices de degradação socioambiental.

Por isso, também, a sociedade vive uma inversão de valores. Não adianta se brigar por direitos humanos à população carcerária quando a metade da população passa fome e crianças viram latas de lixo à procura de comida. Na verdade, falta-nos amor ao próximo! Precisamos olhar para o outro com respeito, qualquer que seja o indivíduo: do sujeito que limpa o chão ao cientista. Pois, o que os separa é a diferença de informação que cada um teve a oportunidade de receber. O que limpa o chão, coitado, aprendeu muito pouco, mas ele é tão útil quanto o cientista e ele tem também o direito de ter uma vida digna!

O sociólogo Polonês Zygmunt Bauman (1925-2017) ao fazer uma análise da nossa sociedade se refere a ela como “sociedade líquida”, metáfora usada para ilustrar o estado das mudanças. As formas de vida moderna, segundo ele, se assemelham pela vulnerabilidade e fluidez, incapazes de manter a mesma identidade por muito tempo, o que reforça esse estado temporário das relações sociais. O século 20 sofreu uma passagem da sociedade de produção para a sociedade de consumo. Com isso, também passamos pelo processo de fragmentação da vida humana e deixamos de pensar em termos de comunidade — a qual nação, grupo ou movimento político pertencemos. Sem a essência humana, resta pó!

Finalizo citando Éneas Carneiro: “Quando você não se sentir mais útil, quando você estiver só pensando em si mesmo, você não tem mais o direito de estar vivo!”. Afinal, qual o sentido da vida?!

(*) Fernando Gomes, sociólogo, eleitor, cidadão e contribuinte parnaibano.

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